Este Vídeo sintetiza dicas para apresentações em aulas, palestras, seminários e debates. As dicas são do Professor Humberto Estevam. A edição e produção são de minha autoria. Trata-se de atividade desenvolvida como exigência na disciplina Didática Geral no 5º período do Curso de Ciências Sociais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM).
UM ESPAÇO PARA DISCUSSÃO, BATE-PAPO, REFLEXÃO, POLÍTICA, CIÊNCIAS SOCIAIS, DIFUSÃO DA ARTE E DA CULTURA!
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- Professor. Mestre e Doutorando em Educação. Amante da Família e dos amigos verdadeiros! Idealizador do movimento "O tempo não pode parar!" Site: www.professorzuzu.com
terça-feira, 14 de junho de 2011
EM DIDÁTICA GERAL: DICAS DE APRESENTAÇÕES.
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domingo, 8 de maio de 2011
ENGELS SOBRE BALZAC: CONSERVADOR, MAS REALISTA
O fundador do realismo literário moderno nunca deixou seu monarquismo embotar a descrição da ascensão da burguesia, do poder do dinheiro, e do declínio da aristocracia. Daí seu valor, diz Friedrich Engels numa carta à escritora Margaret Harkness.
Por José Carlos Ruy
Fundador do realismo literário moderno, o escritor francês Honoré de Balzac, sem ser aquilo que se convenciona chamar de romancista histórico, deu à literatura quase uma dimensão histórica- ou, dito de outra forma, deu expressão literária aos fenômenos políticos, sociais, econômicos, de seu tempo. Um tempo em que a burguesia emergia como a força social dominante, lançando os tentáculos do dinheiro e de sua forma de viver não só sobre o proletariado que estava sob seu tacão mas também sobre a velha aristocracia derrotada nas revoluções do final do século 18 e que, mesmo quando conseguiu restaurar parte de seu poder, só pode fazê-lo sob as formas e a lógica tipicamente burguesas.
Mesmo sendo um monarquista e partidário da aristocrqacia, Balzac (cujo aniversário se comemora no dia 20 de maio; ele nascem em 1799 e viveu até 1850) não deixou suas convicções politicas embotarem o realismo com que encarou e descreveu a sociedade de seu tempo.
Esta é a tese defendida por Engels na carta endereçada à escritora socialista inglesa Margaret Harkness. Escrita em 1888, foi um dos textos onde Friedrich Engels manifestou opiniões elogiosas a respeito da obra de Honoré de Balzac.
Harkness foi autora de vários romances publicados no final do século 19 e havia enviado a Engels um exemplar de seu primeiro livro, “City Girl”. O ardor socialista naqueles anos. Mas hoje ela é lembrada principalmente PELOS comentários de Engels a sua literatura.
Na carta que o Vermelho reproduz nesta edição, Engels refere-se ao realismo de Balzac que faz o escritor francês superar suas opiniões reacionárias ao descrever com cores fortes a ascensão dos valores burgueses na sociedade francesa de seu tempo.
Confira a carta enviada por Friedrich Engels a Margaret Harkenss:
Karl Marx e Balzac
O conto “A obra-prima ignorada” é tido como um dos escritos de Balzac preferidos por Karl Marx e descreve a angústia do artista (e, por extensão, do cientista) na busca da perfeição.
O Vermelho publica aqui a parte final do conto, intitulada ]’Catarina Lescault”:
A obra-prima ignorada
II - Catarina Lescault
Três meses depois do encontro de Poussin e Porbus, este foi visitar mestre Frenhofer. O ancião estava então sujeito a um desses desânimos profundos e espontâneos cuja causa, se devemos dar créditos aos matemáticos da medicina, reside numa má digestão, no vento, no calor, ou em alguma inchação dos hipocôndrios; e, segundo os espiritualistas, na imperfeição da nossa natureza moral. O velhote pura e simplesmente se cansara em dar a última demão no seu misterioso quadro. Estava preguiçosamente sentado numa vasta poltrona de carvalho esculpido, forrada de couro preto; e, sem sair de sua atitude melancólica, dirigiu a Porbus o olhar de um homem que se instalara no seu tédio.
— E então, mestre — perguntou-lhe Porbus —, o ultramar que foi buscar em Bruges não era bom? Será que não soube misturar nosso novo branco? Seu óleo era ruim ou os pincéis eram teimosos?
— Ai de mim! — exclamou o ancião — durante um momento acreditei que minha obra estivesse concluída; mas com certeza me enganei nalguns detalhes e não sossegarei enquanto não dissipar minhas dúvidas. Estou decidido a viajar e vou à Turquia, à Grécia, à Ásia para procurar por lá um modelo e comparar meu quadro com alguns nus... É possível que eu tenha lá em cima — continuou, esboçando um sorriso de satisfação — a própria natureza. Por vezes, quase tenho medo de que um sopro desperte aquela mulher e que ela desapareça.
Depois, ergueu-se de repente, como para partir.
— Oh! oh! — respondeu Porbus — chego a tempo para poupar-lhe as despesas e as fadigas da viagem.
— Como assim? — perguntou Frenhofer, admirado.
— O jovem Poussin é amado por uma mulher cuja incomparável beleza não tem a menor imperfeição. Mas, meu caro mestre, se ele consente em emprestar-lha, será preciso pelo menos que nos deixe ver sua tela.
O ancião permaneceu de pé, imóvel, num estado de perfeita estupidez.
— Como! — exclamou ele, por fim, dolorosamente — mostrar minha criatura, minha esposa? Rasgar o véu sob o qual casta-mente encobri minha felicidade? Mas isso seria uma horrível prostituição! Faz dez anos que vivo com essa mulher, ela é minha, só minha, ela me ama. Não me sorriu a cada pincelada que lhe dei? Ela tem uma alma, a alma com que a dotei. Ela coraria se outros olhos que não os meus a fixassem. Mostrá-la! mas qual é o marido, o amante suficientemente vil para levar sua mulher à desonra? Quando fazes ora quadro para a Corte, não pões nele toda a tua alma, não vendes aos cortesãos mais do que manequins coloridos. Minha pintura não é uma pintura, é um sentimento, uma paixão! Nascida na minha oficina, ela aí deve permanecer virgem e não pode sair senão vestida. A poesia e as mulheres só se entregam nuas aos seus amantes! Possuímos nós o modelo de Rafael, a Angélica de Ariosto, a Beatriz do Dante? Não! não lhes vemos senão as formas. Pois bem, a obra que tenho lá em cima trancada a ferrolho é uma exceção na nossa arte. Não é uma tela, é uma mulher! uma mulher com a qual choro, rio, converso, penso. Queres que repentinamente eu abandone uma felicidade de dez anos como se atira uma capa; que repentinamente eu deixe de ser pai, amante e deus? Essa mulher não e uma criatura, é uma criação. Que venha o teu rapaz, eu lhe darei meus tesouros, quadros de Correggio, de Michelangelo, de Ticiano, beijarei as pegadas de seus passos na poeira; mas fazer dele meu rival? opróbrio sobre mim! Ah! ah! sou mais amante ainda do que pintor. Sim, terei forças para queimar a minha Belle Noiseuse ao dar o último suspiro; mas fazê-la suportar o olhar de um homem, de um rapaz, de um pintor? não, não! Mataria no dia seguinte aquele que a tivesse poluído com um olhar! Eu te mataria agora mesmo, a ti, que és meu amigo, se não a saudasses de joelhos! Queres agora que eu submeta meu ídolo às frias miradas e às críticas estúpidas dos imbecis? Ah! o amor é um mistério que só tem vida no fundo dos corações, e tudo está perdido quando um homem diz, mesmo ao seu amigo: “Aí está a mulher que amo!”
O ancião parecia ter remoçado; seus olhos tinham brilho e tinham vida; suas faces pálidas estavam matizadas de um vermelho vivo e suas mãos tremiam. Porbus, espantado com a violência apaixonada com que aquelas palavras foram proferidas, não sabia o que responder a um sentimento tão novo como profundo. Frenhofer estava no uso da razão ou louco? Estaria ele subjugado por uma fantasia de artista, ou as idéias que ele exprimira procederiam desse singular fanatismo que se produz em nós pela criação laboriosa de uma grande obra? Poder-se-ia esperar transigir um dia com aquela paixão estranha?
Empolgado por todos esses pensamentos, Porbus disse ao ancião:
— Mas não é uma mulher por outra mulher? Não entrega Poussin sua amante aos olhares do senhor?
— Que amante? — respondeu Frenhofer. — Cedo ou tarde ela o trairá. A minha me será sempre fiel!
— Pois bem — disse Porbus —, não falemos mais nisso. Mas, antes do senhor achar, mesmo na Ásia, uma mulher tão bela, tão perfeita como esta de que lhe falo, morrerá talvez sem ter concluí-do seu quadro.
— Oh! ele está acabado — disse Frenhofer. — Quem o visse, julgaria estar vendo uma mulher deitada num leito de veludo, ve-lada por cortinas. Junto a ela uma tripeça de ouro exala perfumes. Ficarias tentado a agarrar as borlas dos cordões que retêm as cortinas, e te pareceria ver o seio de Catarina Lescault, uma bela cortesã chamada Belle Noiseuse, mover-se com a respiração. Entretanto, eu quisera ter certeza...
— Vá pois para a Ásia — respondeu Porbus, ao perceber uma certa hesitação no olhar de Frenhofer.
E Porbus deu alguns passos em direção à porta da sala.
Nesse momento, Gillette e Nicolas Poussin tinham chegado junto à residência de Frenhofer. Quando a moça estava a ponto de en-trar, soltou o braço do pintor e recuou como se a tivesse invadido algum súbito pressentimento.
— Mas, afinal, que venho eu fazer aqui? — perguntou ao amante com um som de voz profundo e olhando-o fixamente.
— Gillette, deixei-te senhora de tua vontade e quero obedecer-te em tudo. Tu és minha consciência e minha glória. Volta para ca-sa; eu serei mais feliz, talvez, do que se tu...
— Pertenço-me, acaso, quando me falas assim? Oh! não, não sou senão uma criança... Vamos acrescentou, parecendo fazer um esforço violento —, se nosso amor morrer e se puser no meu coração um infindável arrependimento, não será tua celebridade o preço da minha obediência aos teus desejos? Entremos, será ainda viver o estar sempre como uma recordação na tua paleta.
Ao abrirem a porta da casa, os dois amantes se encontraram com Porbus, o qual, surpreendido pela beleza de Gillette, cujos olhos estavam naquele momento rasos de lágrimas, segurou-a toda trê-mula e, levando-a ante o ancião, disse-lhe:
— Veja, não vale ela todas as obras-primas do mundo?
Frenhofer estremeceu. Gillette ali estava, na atitude ingênua e simples de uma jovem georgiana inocente e medrosa, raptada por bandidos e apresentada a algum mercador de escravos. Um pudico rubor corava seu rosto; ela baixava os olhos; as mãos pendiam aos lados, as forças pareciam abandoná-la, e lágrimas protestavam contra a violência feita ao seu pudor. Nesse momento, Poussin, desesperado por ter tirado do sótão aquele belo tesouro, amaldiçoou-se a si próprio. Tornou-se mais amante do que artista, e mil escrúpulos torturaram-lhe o coração quando viu os olhos rejuvenescidos do ancião, o qual, por um hábito de pintor, despiu, por assim dizer, aquela moça, adivinhando-lhe as formas mais secretas. Retornou então ao feroz ciúme do verdadeiro amor.
— Partamos, Gillette! — bradou.
Ante aquele rasgo, a amante, alegre, ergueu os olhos para ele, viu-o, e correu para seus braços.
— Ah! então tu me amas! — respondeu, desatando a chorar.
Depois de ter tido a energia de fazer calar seu sofrimento, ela não tinha forças para ocultar sua felicidade.
— Oh! deixe-ma por um momento — disse o velho pintor — e poderás compará-la com a minha Catarina... Sim, consinto.
No grito de Frenhofer ainda havia amor. Parecia ter faceirice para com seu simulacro de mulher e gozar de antemão o triunfo que a beleza de sua criação ia conseguir sobre a de uma verdadeira moça.
— Não o deixe desdizer-se — exclamou Porbus, batendo no ombro de Poussin. — Os frutos do amor passam depressa, os da arte são imortais.
— Para ele — respondeu Gillette, olhando Poussin e Porbus atentamente — eu não serei então mais do que uma mulher?
Ergueu a cabeça com altivez; mas, quando, depois de dirigir um olhar cintilante a Frenhofer, ela viu seu amante entretido a con-templar outra vez o retrato que anteriormente ele tomara por um Giorgione:
— Ah! — disse ela — subamos! Ele nunca me olhou assim.
— Ancião — disse Poussin, arrancando à sua meditação pela voz de Gillette —, olha esta espada, eu a mergulharei no teu cora-ção à primeira palavra de queixa que proferir esta moça, atearei fogo a tua casa, e ninguém sairá dela. Compreendes?
Nicolas Poussin estava sombrio e seu falar foi terrível. Essa ati-tude e sobretudo o gesto do jovem pintor consolaram Gillette, que quase o perdoou por sacrificá-la à pintura e ao seu glorioso futuro. Porbus e Poussin ficaram na porta do ateliê, olhando em silêncio um para o outro. Se, a princípio, o pintor de Maria Egipcíaca se permitiu algumas exclamações: “Ah! ela se está despindo, ele manda-a colocar-se em boa luz! Compara-a!”, pronto calou-se ante o aspecto de Poussin, cujo semblante estava profundamente triste; e, conquanto os velhos pintores não tenham mais escrúpulos desses, tão mesquinhos diante da arte, ele admirou-os, de tal forma eram ingênuos e bonitos. O rapaz estava com a mão no punho da espada e com o ouvido quase colado à porta. Ambos, na sombra e de pé, assemelhavam-se assim a dois conspiradores à espera da hora de apunhalar um tirano.
— Entrem, entrem! — disse o ancião, radiante de felicidade. Minha obra está perfeita, e agora posso mostrá-la com orgulho.
Jamais pintor, pincéis, tintas, tela e luz farão uma rival a Catarina Lescault, a bela cortesã!
Possuídos de viva curiosidade, Porbus e Poussin correram para o centro de uma vasta oficina coberta de pó, onde tudo estava em desordem, onde viram aqui e ali quadros pendurados nas paredes. Detiveram-se primeiro diante de uma figura de mulher de tamanho natural, seminua, que os encheu de admiração.
— Oh! não se ocupem com isso — disse Frenhofer —, é uma tela que borrei para estudar uma pose; esse quadro não vale nada. Aí estão meus erros — continuou, mostrando-lhes encantadoras composições penduradas às paredes, à roda deles.
Ante essas palavras, Porbus e Poussin, estupefatos com aquele desdém por tais obras, procuraram o retrato anunciado, sem conseguir vê-lo.
— Pois bem, aí está ele! — disse-lhes o ancião, cujos cabelos es-tavam em desordem, cujo rosto estava injetado por uma exaltação sobrenatural, cujos olhos cintilavam, e que ofegava como um rapaz ébrio de amor. - Ah! ah! - exclamou - não esperavam tanta perfeição! Estão diante de uma mulher e procuram um quadro. Há tanta profundidade nessa tela, o ar é nela tão real que não podem mais distingui-lo do ar que nos cerca. Onde está a arte? perdida, desaparecida! Eis as formas verdadeiras de uma rapariga. Não lhe dei bem o colorido, a precisão das linhas que parecem terminar o corpo? Não é o mesmo fenômeno que nos apresentam os objetos que estão na atmosfera como os peixes na água? Admirem como os contornos se destacam do fundo! Não lhes parece que podem passar as mãos nesse dorso? Também, durante sete anos, estudei os efeitos da conjunção da luz e dos objetos. E esses cabelos, não os inunda a luz?... Mas, creio, ela respirou!... Vejam, esse seio! Ah! quem não o quereria adorar de joelhos? As carnes palpitam. Ela vai erguer-se, esperem!
— Está vendo alguma coisa? — perguntou Poussin a Porbus.
— Não. E você?
— Nada.
Os dois pintores deixaram o velho entregue a seu êxtase, olha-ram para ver se a luz, ao cair a prumo sobre a tela que ele lhes estava mostrando, não neutralizava todos os seus efeitos. Examinaram então a pintura colocando-se à direita, à esquerda, de frente, abaixando-se e levantando-se alternativamente.
— Sim, sim, é mesmo uma tela — dizia-lhes Frenhofer, en-ganando-se com a finalidade daquele exame escrupuloso. — Olhem, aqui está a moldura, o cavalete, enfim, aqui estão minhas tintas, meus pincéis.
E apoderou-se de um pincel, que lhes apresentou num gesto ingênuo.
— O velho lansquenete está divertindo-se à nossa custa — disse Poussin, voltando para diante do pretenso quadro. — Não vejo ali senão cores confusamente amontoadas e contidas por uma porção de linhas esquisitas que formam uma muralha de pintura...
— Nós nos enganamos, veja! — respondeu Porbus.
Aproximando-se, perceberam num canto da tela a ponta de um pé nu que saía daquele caos de cores, de tons, de matizes in-decisos, espécie de bruma sem forma; mas um pé delicioso, um pé com vida! Ficaram petrificados de admiração diante daquele fragmento escapo a uma incrível, a uma lenta e progressiva destruição. Aquele pé aparecia ali como um torso de alguma Vênus de mármore de Paros que surgisse de entre os escombros de uma cidade incendiada.
— Há uma mulher por baixo disso! — exclamou Porbus, fazendo Poussin notar as camadas de tinta que o velho pintor superpusera sucessivamente ao julgar que aperfeiçoava sua pintura.
Os dois artistas viraram-se espontaneamente para Frenhofer, começando a compreender, porém de modo vago, o êxtase no qual ele vivia.
— Ele está de boa-fé — disse Porbus.
— Sim, meu amigo — respondeu o ancião, despertando —, na arte é preciso fé, fé, e viver muito tempo com a própria obra para produzir semelhante criação. Algumas dessas sombras custaram-me muito trabalho. Olhe sobre a face, ali, abaixo dos olhos, há uma leve penumbra que, se a observarem na natureza, parecer-lhes-á quase intraduzível. Pois bem, julgam vocês que esse efeito não me custou trabalhos inauditos para reproduzi-lo? Mas também, meu caro Porbus, olha atentamente para o meu trabalho e compreenderás melhor o que eu te dizia sobre o modo de tratar o modelado e os contornos. Olha a luz do seio e vê como, por uma série de retoques e de realces fortemente empastados, consegui agarrar a verdadeira luz e combiná-la com a alvura lustrosa dos tons iluminados; e, como por um trabalho oposto, apagando as saliências e o grão da pasta, pude, à força de amaciar o contorno da minha figura, mergulhada nos semitons, suprimir até a idéia de desenho e de meios artificiais, e dar-lhe o aspecto e o próprio ondulado da natureza. Aproximem-se e verão melhor esse trabalho. De longe, ele desaparece. Vejam! ali, creio, ele é bem visível.
E com a ponta do pincel designava aos dois pintores um bloco de cor clara.
Porbus bateu no ombro do ancião, virando-se para Poussin:
— Sabe que vemos nele um bem grande pintor? — disse.
— Ele é ainda mais poeta do que pintor — respondeu Poussin gravemente.
— Aqui — prosseguiu Porbus, tocando a tela — acaba a nossa arte sobre a terra.
— E, daí, vai perder-se no céu — disse Poussin.
— Quanto gozo nesse pedaço de tela! — exclamou Porbus.
O ancião, absorto, não os ouvia e sorria àquela mulher ima-ginária.
— Mas cedo ou tarde ele se aperceberá de que não há nada na sua tela! — exclamou Poussin.
— Nada na minha tela! — disse Frenhofer, olhando alterna-tivamente os dois pintores e seu pretenso quadro.
— Que fez você! — disse Porbus em voz baixa a Poussin.
O velho segurou com força o braço do rapaz e disse-lhe:
— Nada vês, labrego! tratante! patife! desavergonhado! Para que, pois, subiste aqui? Meu bom Porbus — disse ele virando-se para o pintor —, será que você também se está divertindo à minha custa? Responda! sou seu amigo, diga, teria eu estragado meu quadro?
Porbus, indeciso, não se atreveu a falar; mas a ansiedade pin-tada na fisionomia lívida do ancião era tão cruel que ele apontou para a tela, dizendo:
— Veja!
Frenhofer contemplou seu quadro um instante e cambaleou.
— Nada! nada! E ter trabalhado dez anos!
Sentou-se e chorou.
— Sou pois um imbecil, um louco! não tenho nem talento nem capacidade! Não sou senão um homem rico que, ao caminhar, nada mais faz do que caminhar! Não terei, pois, produzido nada!
Contemplou a tela através de suas lágrimas, ergueu-se subita-mente com orgulho e lançou aos dois pintores um olhar fulgurante:
— Pelo sangue, pelo corpo, pela cabeça de Cristo! vocês são uns invejosos que me querem fazer crer que ela está estragada, para ma roubarem! Eu vejo-a! — gritou — ela é maravilhosamente bela...
Naquele momento Poussin ouviu o pranto de Gillette, esquecida num canto.
— Que tens, meu anjo? — perguntou-lhe o pintor, voltando a ser um apaixonado.
— Mata-me! — disse ela. — Eu seria uma infame se te amasse ainda, porque te desprezo... Admiro-te, e me causas horror! Amo-te, e creio que já te odeio!
Enquanto Poussin ouvia Gillette, Frenhofer cobria sua Catarina com uma sarja verde, com a séria tranqüilidade de um joalheiro que fechasse suas gavetas ao julgar-se na companhia de hábeis ladrões. Dirigiu aos dois pintores um olhar profundamente dissimulado, repleto de desprezo e de desconfiança, pô-los silenciosamente fora de sua oficina, com uma presteza convulsiva; depois, à porta de sua casa disse-lhes:
— Adeus, meus amiguinhos.
Esse adeus gelou os dois pintores. No dia seguinte, Porbus, in-quieto, voltou para ver Frenhofer e soube que ele morrera a noite, depois de ter queimado suas telas.
Paris, fevereiro de 1832
De Honoré de Balzac, A Comédia Humana. São Paulo: Globo, 1992.
FONTE: PORTAL VERMELHO.
http://www.vermelho.org.br/prosapoesiaearte/noticia.php?id_noticia=153628&id_secao=285
Por José Carlos Ruy
Fundador do realismo literário moderno, o escritor francês Honoré de Balzac, sem ser aquilo que se convenciona chamar de romancista histórico, deu à literatura quase uma dimensão histórica- ou, dito de outra forma, deu expressão literária aos fenômenos políticos, sociais, econômicos, de seu tempo. Um tempo em que a burguesia emergia como a força social dominante, lançando os tentáculos do dinheiro e de sua forma de viver não só sobre o proletariado que estava sob seu tacão mas também sobre a velha aristocracia derrotada nas revoluções do final do século 18 e que, mesmo quando conseguiu restaurar parte de seu poder, só pode fazê-lo sob as formas e a lógica tipicamente burguesas.
Mesmo sendo um monarquista e partidário da aristocrqacia, Balzac (cujo aniversário se comemora no dia 20 de maio; ele nascem em 1799 e viveu até 1850) não deixou suas convicções politicas embotarem o realismo com que encarou e descreveu a sociedade de seu tempo.
Esta é a tese defendida por Engels na carta endereçada à escritora socialista inglesa Margaret Harkness. Escrita em 1888, foi um dos textos onde Friedrich Engels manifestou opiniões elogiosas a respeito da obra de Honoré de Balzac.
Harkness foi autora de vários romances publicados no final do século 19 e havia enviado a Engels um exemplar de seu primeiro livro, “City Girl”. O ardor socialista naqueles anos. Mas hoje ela é lembrada principalmente PELOS comentários de Engels a sua literatura.
Na carta que o Vermelho reproduz nesta edição, Engels refere-se ao realismo de Balzac que faz o escritor francês superar suas opiniões reacionárias ao descrever com cores fortes a ascensão dos valores burgueses na sociedade francesa de seu tempo.
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| Friedrich Engels |
Londres, início de abril de 1888
Cara Srta. Margaret Harkness
Agradeço muito por me enviar seu "City Girl", através dos Srs. Vizetelly. Eu o li com o maior prazer e avidez. É, na verdade, como meu amigo Eichhoff seu tradutor diz, kleines Kunstwerk ein ... (uma pequena obra de arte).
Se tenho algo a criticar, seria o fato de que talvez, afinal, o livro não é realista o suficiente. Realismo, em minha opinião, implica, para além da verdade dos detalhes, na reprodução de verdadeiros personagens típicos em circunstâncias típicas. Agora, seus personagens são típicos o suficiente, tanto quanto possível. Mas talvez as circunstâncias que os cercam e os fazem agir talvez não sejam parecidas. Em "City Girl" a classe trabalhadora é retratada como uma massa passiva, incapaz de ajudar a si mesma, não podendo mesmo demonstrar (fazer) qualquer tentativa de esforço nesse sentido.
Todas as tentativas de arrastá-la fora de sua apática miséria vêm de fora, de cima para baixo. Agora, se esta era uma descrição correta por volta de 1800 ou 1810, nos dias de Saint-Simon e Owen Robert, ela não pode aparecer assim em 1887 a um homem que durante quase cinquenta anos teve a honra de participar na maioria das lutas do proletariado militante. A reação de rebeldia da classe trabalhadora contra o meio opressivo que a rodeia, suas tentativas - convulsivas, semi-inconscientes ou conscientes - para recuperar sua condição de seres humanos, pertencem à história e devem reivindicar um lugar no domínio do realismo.
Estou longe de ver como uma falha o fato de você não ter escrito um romance socialista à queima-roupa, uma "tendenzroman" (um romance de tendência), como dizemos em alemão, glorificando o ponto de vista social e político do autor. Não é isso que quero dizer. Quanto mais as opiniões do autor permanecerem ocultas, melhor para a obra de arte. O realismo a que me refino revela-se a despeito das opiniões do autor. Deixe-me referir, por exemplo, a Balzac, a quem considero um mestre do realismo ainda maior do todos os Zolas do passado, presente e futuro. Em A Comédia Humana Balzac nos dá uma história maravilhosamente realista da "sociedade" francesa, especialmente do monde parisien (ao mundo social parisiense), descrevendo, na forma de crônica, quase ano a ano de 1816-1848 a ascensão progressiva da burguesia sobre a sociedade de nobres, que reconstituiu após 1815 e estabeleceu outra vez, na medida em que pode, o padrão da viellie politesse française (o refinamento francês).
Ele descreve como os últimos remanescentes deste mundo, que encarava como uma sociedade modelo, sucumbiram gradualmente ante a invasão dos vulgares arrivistas endinheirados, ou foram corrompidos por eles, como a grande dama cujas infidelidades conjugais não passavam de uma maneira de se acomodar com o modo como ela foi preparada em seu casamento, cedeu lugar à burguesia, e chifrava o marido por dinheiro ou cashmere. Em torno desta figura central Balzac agrupou uma história completa da sociedade francesa na qual, mesmo em pormenores econômicos (por exemplo, o rearranjo de bens móveis e imóveis após a Revolução), aprendi mais do que de todos os historiadores professos, economistas e estatísticos do período juntos.
Bem, Balzac era politicamente um legitimista; sua grande obra é uma elegia constante sobre a decadência inevitável da boa sociedade; suas simpatias são todas para a classe condenada à extinção. É por tudo isso que sua sátira nunca é aguçada, sua ironia nunca é amarga, mesmo quando ele põe em movimento os próprios homens e mulheres com quem simpatiza mais profundamente - os nobres. E os únicos homens de quem ele sempre fala com indisfarçável admiração, são os seus mais ferrenhos adversários políticos, os heróis republicanos do Cloître Saint-Méry, os homens, que na época (1830-6) foram de fato os representantes das massas populares. Que Balzac tenha sido obrigado a ir contra suas próprias simpatias de classe e preconceitos políticos, que tenha visto a necessidade da queda dos seus nobres favoritos, e que os tenha descrito como pessoas que não mereciam melhor sorte; e que tenha visto os verdadeiros homens do futuro no púnico lugar onde então eles só podiam ser encontrados – isto é o que considero um dos maiores triunfos do realismo, e uma das maiores características do velho Balzac.
Devo admitir, em sua defesa, que em nenhum lugar do mundo civilizado são os trabalhadores menos ativamente resistentes, mais passivamente submissos ao destino, mais hébétés (confusos) do que no East End de Londres. E como posso saber se você não tem boas razões para, contentando-se com uma imagem inicial da passividade da vida da classe trabalhadora, não tenha reservado o lado ativo para um outro trabalho?
Friedrich Engels
Cara Srta. Margaret Harkness
Agradeço muito por me enviar seu "City Girl", através dos Srs. Vizetelly. Eu o li com o maior prazer e avidez. É, na verdade, como meu amigo Eichhoff seu tradutor diz, kleines Kunstwerk ein ... (uma pequena obra de arte).
Se tenho algo a criticar, seria o fato de que talvez, afinal, o livro não é realista o suficiente. Realismo, em minha opinião, implica, para além da verdade dos detalhes, na reprodução de verdadeiros personagens típicos em circunstâncias típicas. Agora, seus personagens são típicos o suficiente, tanto quanto possível. Mas talvez as circunstâncias que os cercam e os fazem agir talvez não sejam parecidas. Em "City Girl" a classe trabalhadora é retratada como uma massa passiva, incapaz de ajudar a si mesma, não podendo mesmo demonstrar (fazer) qualquer tentativa de esforço nesse sentido.
Todas as tentativas de arrastá-la fora de sua apática miséria vêm de fora, de cima para baixo. Agora, se esta era uma descrição correta por volta de 1800 ou 1810, nos dias de Saint-Simon e Owen Robert, ela não pode aparecer assim em 1887 a um homem que durante quase cinquenta anos teve a honra de participar na maioria das lutas do proletariado militante. A reação de rebeldia da classe trabalhadora contra o meio opressivo que a rodeia, suas tentativas - convulsivas, semi-inconscientes ou conscientes - para recuperar sua condição de seres humanos, pertencem à história e devem reivindicar um lugar no domínio do realismo.
Estou longe de ver como uma falha o fato de você não ter escrito um romance socialista à queima-roupa, uma "tendenzroman" (um romance de tendência), como dizemos em alemão, glorificando o ponto de vista social e político do autor. Não é isso que quero dizer. Quanto mais as opiniões do autor permanecerem ocultas, melhor para a obra de arte. O realismo a que me refino revela-se a despeito das opiniões do autor. Deixe-me referir, por exemplo, a Balzac, a quem considero um mestre do realismo ainda maior do todos os Zolas do passado, presente e futuro. Em A Comédia Humana Balzac nos dá uma história maravilhosamente realista da "sociedade" francesa, especialmente do monde parisien (ao mundo social parisiense), descrevendo, na forma de crônica, quase ano a ano de 1816-1848 a ascensão progressiva da burguesia sobre a sociedade de nobres, que reconstituiu após 1815 e estabeleceu outra vez, na medida em que pode, o padrão da viellie politesse française (o refinamento francês).
Ele descreve como os últimos remanescentes deste mundo, que encarava como uma sociedade modelo, sucumbiram gradualmente ante a invasão dos vulgares arrivistas endinheirados, ou foram corrompidos por eles, como a grande dama cujas infidelidades conjugais não passavam de uma maneira de se acomodar com o modo como ela foi preparada em seu casamento, cedeu lugar à burguesia, e chifrava o marido por dinheiro ou cashmere. Em torno desta figura central Balzac agrupou uma história completa da sociedade francesa na qual, mesmo em pormenores econômicos (por exemplo, o rearranjo de bens móveis e imóveis após a Revolução), aprendi mais do que de todos os historiadores professos, economistas e estatísticos do período juntos.
Bem, Balzac era politicamente um legitimista; sua grande obra é uma elegia constante sobre a decadência inevitável da boa sociedade; suas simpatias são todas para a classe condenada à extinção. É por tudo isso que sua sátira nunca é aguçada, sua ironia nunca é amarga, mesmo quando ele põe em movimento os próprios homens e mulheres com quem simpatiza mais profundamente - os nobres. E os únicos homens de quem ele sempre fala com indisfarçável admiração, são os seus mais ferrenhos adversários políticos, os heróis republicanos do Cloître Saint-Méry, os homens, que na época (1830-6) foram de fato os representantes das massas populares. Que Balzac tenha sido obrigado a ir contra suas próprias simpatias de classe e preconceitos políticos, que tenha visto a necessidade da queda dos seus nobres favoritos, e que os tenha descrito como pessoas que não mereciam melhor sorte; e que tenha visto os verdadeiros homens do futuro no púnico lugar onde então eles só podiam ser encontrados – isto é o que considero um dos maiores triunfos do realismo, e uma das maiores características do velho Balzac.
Devo admitir, em sua defesa, que em nenhum lugar do mundo civilizado são os trabalhadores menos ativamente resistentes, mais passivamente submissos ao destino, mais hébétés (confusos) do que no East End de Londres. E como posso saber se você não tem boas razões para, contentando-se com uma imagem inicial da passividade da vida da classe trabalhadora, não tenha reservado o lado ativo para um outro trabalho?
Friedrich Engels
O conto “A obra-prima ignorada” é tido como um dos escritos de Balzac preferidos por Karl Marx e descreve a angústia do artista (e, por extensão, do cientista) na busca da perfeição.
O Vermelho publica aqui a parte final do conto, intitulada ]’Catarina Lescault”:
A obra-prima ignorada
II - Catarina Lescault
Três meses depois do encontro de Poussin e Porbus, este foi visitar mestre Frenhofer. O ancião estava então sujeito a um desses desânimos profundos e espontâneos cuja causa, se devemos dar créditos aos matemáticos da medicina, reside numa má digestão, no vento, no calor, ou em alguma inchação dos hipocôndrios; e, segundo os espiritualistas, na imperfeição da nossa natureza moral. O velhote pura e simplesmente se cansara em dar a última demão no seu misterioso quadro. Estava preguiçosamente sentado numa vasta poltrona de carvalho esculpido, forrada de couro preto; e, sem sair de sua atitude melancólica, dirigiu a Porbus o olhar de um homem que se instalara no seu tédio.
— E então, mestre — perguntou-lhe Porbus —, o ultramar que foi buscar em Bruges não era bom? Será que não soube misturar nosso novo branco? Seu óleo era ruim ou os pincéis eram teimosos?
— Ai de mim! — exclamou o ancião — durante um momento acreditei que minha obra estivesse concluída; mas com certeza me enganei nalguns detalhes e não sossegarei enquanto não dissipar minhas dúvidas. Estou decidido a viajar e vou à Turquia, à Grécia, à Ásia para procurar por lá um modelo e comparar meu quadro com alguns nus... É possível que eu tenha lá em cima — continuou, esboçando um sorriso de satisfação — a própria natureza. Por vezes, quase tenho medo de que um sopro desperte aquela mulher e que ela desapareça.
Depois, ergueu-se de repente, como para partir.
— Oh! oh! — respondeu Porbus — chego a tempo para poupar-lhe as despesas e as fadigas da viagem.
— Como assim? — perguntou Frenhofer, admirado.
— O jovem Poussin é amado por uma mulher cuja incomparável beleza não tem a menor imperfeição. Mas, meu caro mestre, se ele consente em emprestar-lha, será preciso pelo menos que nos deixe ver sua tela.
O ancião permaneceu de pé, imóvel, num estado de perfeita estupidez.
— Como! — exclamou ele, por fim, dolorosamente — mostrar minha criatura, minha esposa? Rasgar o véu sob o qual casta-mente encobri minha felicidade? Mas isso seria uma horrível prostituição! Faz dez anos que vivo com essa mulher, ela é minha, só minha, ela me ama. Não me sorriu a cada pincelada que lhe dei? Ela tem uma alma, a alma com que a dotei. Ela coraria se outros olhos que não os meus a fixassem. Mostrá-la! mas qual é o marido, o amante suficientemente vil para levar sua mulher à desonra? Quando fazes ora quadro para a Corte, não pões nele toda a tua alma, não vendes aos cortesãos mais do que manequins coloridos. Minha pintura não é uma pintura, é um sentimento, uma paixão! Nascida na minha oficina, ela aí deve permanecer virgem e não pode sair senão vestida. A poesia e as mulheres só se entregam nuas aos seus amantes! Possuímos nós o modelo de Rafael, a Angélica de Ariosto, a Beatriz do Dante? Não! não lhes vemos senão as formas. Pois bem, a obra que tenho lá em cima trancada a ferrolho é uma exceção na nossa arte. Não é uma tela, é uma mulher! uma mulher com a qual choro, rio, converso, penso. Queres que repentinamente eu abandone uma felicidade de dez anos como se atira uma capa; que repentinamente eu deixe de ser pai, amante e deus? Essa mulher não e uma criatura, é uma criação. Que venha o teu rapaz, eu lhe darei meus tesouros, quadros de Correggio, de Michelangelo, de Ticiano, beijarei as pegadas de seus passos na poeira; mas fazer dele meu rival? opróbrio sobre mim! Ah! ah! sou mais amante ainda do que pintor. Sim, terei forças para queimar a minha Belle Noiseuse ao dar o último suspiro; mas fazê-la suportar o olhar de um homem, de um rapaz, de um pintor? não, não! Mataria no dia seguinte aquele que a tivesse poluído com um olhar! Eu te mataria agora mesmo, a ti, que és meu amigo, se não a saudasses de joelhos! Queres agora que eu submeta meu ídolo às frias miradas e às críticas estúpidas dos imbecis? Ah! o amor é um mistério que só tem vida no fundo dos corações, e tudo está perdido quando um homem diz, mesmo ao seu amigo: “Aí está a mulher que amo!”
O ancião parecia ter remoçado; seus olhos tinham brilho e tinham vida; suas faces pálidas estavam matizadas de um vermelho vivo e suas mãos tremiam. Porbus, espantado com a violência apaixonada com que aquelas palavras foram proferidas, não sabia o que responder a um sentimento tão novo como profundo. Frenhofer estava no uso da razão ou louco? Estaria ele subjugado por uma fantasia de artista, ou as idéias que ele exprimira procederiam desse singular fanatismo que se produz em nós pela criação laboriosa de uma grande obra? Poder-se-ia esperar transigir um dia com aquela paixão estranha?
Empolgado por todos esses pensamentos, Porbus disse ao ancião:
— Mas não é uma mulher por outra mulher? Não entrega Poussin sua amante aos olhares do senhor?
— Que amante? — respondeu Frenhofer. — Cedo ou tarde ela o trairá. A minha me será sempre fiel!
— Pois bem — disse Porbus —, não falemos mais nisso. Mas, antes do senhor achar, mesmo na Ásia, uma mulher tão bela, tão perfeita como esta de que lhe falo, morrerá talvez sem ter concluí-do seu quadro.
— Oh! ele está acabado — disse Frenhofer. — Quem o visse, julgaria estar vendo uma mulher deitada num leito de veludo, ve-lada por cortinas. Junto a ela uma tripeça de ouro exala perfumes. Ficarias tentado a agarrar as borlas dos cordões que retêm as cortinas, e te pareceria ver o seio de Catarina Lescault, uma bela cortesã chamada Belle Noiseuse, mover-se com a respiração. Entretanto, eu quisera ter certeza...
— Vá pois para a Ásia — respondeu Porbus, ao perceber uma certa hesitação no olhar de Frenhofer.
E Porbus deu alguns passos em direção à porta da sala.
Nesse momento, Gillette e Nicolas Poussin tinham chegado junto à residência de Frenhofer. Quando a moça estava a ponto de en-trar, soltou o braço do pintor e recuou como se a tivesse invadido algum súbito pressentimento.
— Mas, afinal, que venho eu fazer aqui? — perguntou ao amante com um som de voz profundo e olhando-o fixamente.
— Gillette, deixei-te senhora de tua vontade e quero obedecer-te em tudo. Tu és minha consciência e minha glória. Volta para ca-sa; eu serei mais feliz, talvez, do que se tu...
— Pertenço-me, acaso, quando me falas assim? Oh! não, não sou senão uma criança... Vamos acrescentou, parecendo fazer um esforço violento —, se nosso amor morrer e se puser no meu coração um infindável arrependimento, não será tua celebridade o preço da minha obediência aos teus desejos? Entremos, será ainda viver o estar sempre como uma recordação na tua paleta.
Ao abrirem a porta da casa, os dois amantes se encontraram com Porbus, o qual, surpreendido pela beleza de Gillette, cujos olhos estavam naquele momento rasos de lágrimas, segurou-a toda trê-mula e, levando-a ante o ancião, disse-lhe:
— Veja, não vale ela todas as obras-primas do mundo?
Frenhofer estremeceu. Gillette ali estava, na atitude ingênua e simples de uma jovem georgiana inocente e medrosa, raptada por bandidos e apresentada a algum mercador de escravos. Um pudico rubor corava seu rosto; ela baixava os olhos; as mãos pendiam aos lados, as forças pareciam abandoná-la, e lágrimas protestavam contra a violência feita ao seu pudor. Nesse momento, Poussin, desesperado por ter tirado do sótão aquele belo tesouro, amaldiçoou-se a si próprio. Tornou-se mais amante do que artista, e mil escrúpulos torturaram-lhe o coração quando viu os olhos rejuvenescidos do ancião, o qual, por um hábito de pintor, despiu, por assim dizer, aquela moça, adivinhando-lhe as formas mais secretas. Retornou então ao feroz ciúme do verdadeiro amor.
— Partamos, Gillette! — bradou.
Ante aquele rasgo, a amante, alegre, ergueu os olhos para ele, viu-o, e correu para seus braços.
— Ah! então tu me amas! — respondeu, desatando a chorar.
Depois de ter tido a energia de fazer calar seu sofrimento, ela não tinha forças para ocultar sua felicidade.
— Oh! deixe-ma por um momento — disse o velho pintor — e poderás compará-la com a minha Catarina... Sim, consinto.
No grito de Frenhofer ainda havia amor. Parecia ter faceirice para com seu simulacro de mulher e gozar de antemão o triunfo que a beleza de sua criação ia conseguir sobre a de uma verdadeira moça.
— Não o deixe desdizer-se — exclamou Porbus, batendo no ombro de Poussin. — Os frutos do amor passam depressa, os da arte são imortais.
— Para ele — respondeu Gillette, olhando Poussin e Porbus atentamente — eu não serei então mais do que uma mulher?
Ergueu a cabeça com altivez; mas, quando, depois de dirigir um olhar cintilante a Frenhofer, ela viu seu amante entretido a con-templar outra vez o retrato que anteriormente ele tomara por um Giorgione:
— Ah! — disse ela — subamos! Ele nunca me olhou assim.
— Ancião — disse Poussin, arrancando à sua meditação pela voz de Gillette —, olha esta espada, eu a mergulharei no teu cora-ção à primeira palavra de queixa que proferir esta moça, atearei fogo a tua casa, e ninguém sairá dela. Compreendes?
Nicolas Poussin estava sombrio e seu falar foi terrível. Essa ati-tude e sobretudo o gesto do jovem pintor consolaram Gillette, que quase o perdoou por sacrificá-la à pintura e ao seu glorioso futuro. Porbus e Poussin ficaram na porta do ateliê, olhando em silêncio um para o outro. Se, a princípio, o pintor de Maria Egipcíaca se permitiu algumas exclamações: “Ah! ela se está despindo, ele manda-a colocar-se em boa luz! Compara-a!”, pronto calou-se ante o aspecto de Poussin, cujo semblante estava profundamente triste; e, conquanto os velhos pintores não tenham mais escrúpulos desses, tão mesquinhos diante da arte, ele admirou-os, de tal forma eram ingênuos e bonitos. O rapaz estava com a mão no punho da espada e com o ouvido quase colado à porta. Ambos, na sombra e de pé, assemelhavam-se assim a dois conspiradores à espera da hora de apunhalar um tirano.
— Entrem, entrem! — disse o ancião, radiante de felicidade. Minha obra está perfeita, e agora posso mostrá-la com orgulho.
Jamais pintor, pincéis, tintas, tela e luz farão uma rival a Catarina Lescault, a bela cortesã!
Possuídos de viva curiosidade, Porbus e Poussin correram para o centro de uma vasta oficina coberta de pó, onde tudo estava em desordem, onde viram aqui e ali quadros pendurados nas paredes. Detiveram-se primeiro diante de uma figura de mulher de tamanho natural, seminua, que os encheu de admiração.
— Oh! não se ocupem com isso — disse Frenhofer —, é uma tela que borrei para estudar uma pose; esse quadro não vale nada. Aí estão meus erros — continuou, mostrando-lhes encantadoras composições penduradas às paredes, à roda deles.
Ante essas palavras, Porbus e Poussin, estupefatos com aquele desdém por tais obras, procuraram o retrato anunciado, sem conseguir vê-lo.
— Pois bem, aí está ele! — disse-lhes o ancião, cujos cabelos es-tavam em desordem, cujo rosto estava injetado por uma exaltação sobrenatural, cujos olhos cintilavam, e que ofegava como um rapaz ébrio de amor. - Ah! ah! - exclamou - não esperavam tanta perfeição! Estão diante de uma mulher e procuram um quadro. Há tanta profundidade nessa tela, o ar é nela tão real que não podem mais distingui-lo do ar que nos cerca. Onde está a arte? perdida, desaparecida! Eis as formas verdadeiras de uma rapariga. Não lhe dei bem o colorido, a precisão das linhas que parecem terminar o corpo? Não é o mesmo fenômeno que nos apresentam os objetos que estão na atmosfera como os peixes na água? Admirem como os contornos se destacam do fundo! Não lhes parece que podem passar as mãos nesse dorso? Também, durante sete anos, estudei os efeitos da conjunção da luz e dos objetos. E esses cabelos, não os inunda a luz?... Mas, creio, ela respirou!... Vejam, esse seio! Ah! quem não o quereria adorar de joelhos? As carnes palpitam. Ela vai erguer-se, esperem!
— Está vendo alguma coisa? — perguntou Poussin a Porbus.
— Não. E você?
— Nada.
Os dois pintores deixaram o velho entregue a seu êxtase, olha-ram para ver se a luz, ao cair a prumo sobre a tela que ele lhes estava mostrando, não neutralizava todos os seus efeitos. Examinaram então a pintura colocando-se à direita, à esquerda, de frente, abaixando-se e levantando-se alternativamente.
— Sim, sim, é mesmo uma tela — dizia-lhes Frenhofer, en-ganando-se com a finalidade daquele exame escrupuloso. — Olhem, aqui está a moldura, o cavalete, enfim, aqui estão minhas tintas, meus pincéis.
E apoderou-se de um pincel, que lhes apresentou num gesto ingênuo.
— O velho lansquenete está divertindo-se à nossa custa — disse Poussin, voltando para diante do pretenso quadro. — Não vejo ali senão cores confusamente amontoadas e contidas por uma porção de linhas esquisitas que formam uma muralha de pintura...
— Nós nos enganamos, veja! — respondeu Porbus.
Aproximando-se, perceberam num canto da tela a ponta de um pé nu que saía daquele caos de cores, de tons, de matizes in-decisos, espécie de bruma sem forma; mas um pé delicioso, um pé com vida! Ficaram petrificados de admiração diante daquele fragmento escapo a uma incrível, a uma lenta e progressiva destruição. Aquele pé aparecia ali como um torso de alguma Vênus de mármore de Paros que surgisse de entre os escombros de uma cidade incendiada.
— Há uma mulher por baixo disso! — exclamou Porbus, fazendo Poussin notar as camadas de tinta que o velho pintor superpusera sucessivamente ao julgar que aperfeiçoava sua pintura.
Os dois artistas viraram-se espontaneamente para Frenhofer, começando a compreender, porém de modo vago, o êxtase no qual ele vivia.
— Ele está de boa-fé — disse Porbus.
— Sim, meu amigo — respondeu o ancião, despertando —, na arte é preciso fé, fé, e viver muito tempo com a própria obra para produzir semelhante criação. Algumas dessas sombras custaram-me muito trabalho. Olhe sobre a face, ali, abaixo dos olhos, há uma leve penumbra que, se a observarem na natureza, parecer-lhes-á quase intraduzível. Pois bem, julgam vocês que esse efeito não me custou trabalhos inauditos para reproduzi-lo? Mas também, meu caro Porbus, olha atentamente para o meu trabalho e compreenderás melhor o que eu te dizia sobre o modo de tratar o modelado e os contornos. Olha a luz do seio e vê como, por uma série de retoques e de realces fortemente empastados, consegui agarrar a verdadeira luz e combiná-la com a alvura lustrosa dos tons iluminados; e, como por um trabalho oposto, apagando as saliências e o grão da pasta, pude, à força de amaciar o contorno da minha figura, mergulhada nos semitons, suprimir até a idéia de desenho e de meios artificiais, e dar-lhe o aspecto e o próprio ondulado da natureza. Aproximem-se e verão melhor esse trabalho. De longe, ele desaparece. Vejam! ali, creio, ele é bem visível.
E com a ponta do pincel designava aos dois pintores um bloco de cor clara.
Porbus bateu no ombro do ancião, virando-se para Poussin:
— Sabe que vemos nele um bem grande pintor? — disse.
— Ele é ainda mais poeta do que pintor — respondeu Poussin gravemente.
— Aqui — prosseguiu Porbus, tocando a tela — acaba a nossa arte sobre a terra.
— E, daí, vai perder-se no céu — disse Poussin.
— Quanto gozo nesse pedaço de tela! — exclamou Porbus.
O ancião, absorto, não os ouvia e sorria àquela mulher ima-ginária.
— Mas cedo ou tarde ele se aperceberá de que não há nada na sua tela! — exclamou Poussin.
— Nada na minha tela! — disse Frenhofer, olhando alterna-tivamente os dois pintores e seu pretenso quadro.
— Que fez você! — disse Porbus em voz baixa a Poussin.
O velho segurou com força o braço do rapaz e disse-lhe:
— Nada vês, labrego! tratante! patife! desavergonhado! Para que, pois, subiste aqui? Meu bom Porbus — disse ele virando-se para o pintor —, será que você também se está divertindo à minha custa? Responda! sou seu amigo, diga, teria eu estragado meu quadro?
Porbus, indeciso, não se atreveu a falar; mas a ansiedade pin-tada na fisionomia lívida do ancião era tão cruel que ele apontou para a tela, dizendo:
— Veja!
Frenhofer contemplou seu quadro um instante e cambaleou.
— Nada! nada! E ter trabalhado dez anos!
Sentou-se e chorou.
— Sou pois um imbecil, um louco! não tenho nem talento nem capacidade! Não sou senão um homem rico que, ao caminhar, nada mais faz do que caminhar! Não terei, pois, produzido nada!
Contemplou a tela através de suas lágrimas, ergueu-se subita-mente com orgulho e lançou aos dois pintores um olhar fulgurante:
— Pelo sangue, pelo corpo, pela cabeça de Cristo! vocês são uns invejosos que me querem fazer crer que ela está estragada, para ma roubarem! Eu vejo-a! — gritou — ela é maravilhosamente bela...
Naquele momento Poussin ouviu o pranto de Gillette, esquecida num canto.
— Que tens, meu anjo? — perguntou-lhe o pintor, voltando a ser um apaixonado.
— Mata-me! — disse ela. — Eu seria uma infame se te amasse ainda, porque te desprezo... Admiro-te, e me causas horror! Amo-te, e creio que já te odeio!
Enquanto Poussin ouvia Gillette, Frenhofer cobria sua Catarina com uma sarja verde, com a séria tranqüilidade de um joalheiro que fechasse suas gavetas ao julgar-se na companhia de hábeis ladrões. Dirigiu aos dois pintores um olhar profundamente dissimulado, repleto de desprezo e de desconfiança, pô-los silenciosamente fora de sua oficina, com uma presteza convulsiva; depois, à porta de sua casa disse-lhes:
— Adeus, meus amiguinhos.
Esse adeus gelou os dois pintores. No dia seguinte, Porbus, in-quieto, voltou para ver Frenhofer e soube que ele morrera a noite, depois de ter queimado suas telas.
Paris, fevereiro de 1832
De Honoré de Balzac, A Comédia Humana. São Paulo: Globo, 1992.
FONTE: PORTAL VERMELHO.
http://www.vermelho.org.br/prosapoesiaearte/noticia.php?id_noticia=153628&id_secao=285
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
A MORTE DO MULTICULTURALISMO!
Na década de setenta passada surgia na Inglaterra e nos Estados Unidos o neoliberalismo. Algum tempo depois, em 1989, Francis Fukuyama, norte-americano, até então um obscuro professor de História e Filosofia, publica um artigo, em uma revista de circulação restrita, intitulado “O fim da História” e posteriormente, em 1992, o livro “O fim da História e o último homem”.
Estava lançada uma das bases da maior ofensiva conservadora em escala planetária depois da segunda guerra mundial. Na verdade, Fukuyama era uma das figuras chaves do governo do presidente dos EUA Ronald Reagan.Mas faltava algo que associado às teses neoliberais na economia e às ideias do “fim da História” completasse o arcabouço de uma doutrina de caráter estratégico que permitisse a construção de uma hegemonia em dimensão planetária.
Assim é que toma corpo definitivo, nos EUA e Inglaterra, um conjunto de políticas institucionais amplamente conhecidas como o multiculturalismo.
Tal foi o investimento midiático e a aceitação acrítica dessas ideias que elas se espalharam pelo planeta como algo incontestável, consagradas pelo termo imperativo do “politicamente correto”.
De acordo com muitos jornalistas, intelectuais, artistas de expressão nacional, etc., o “politicamente correto” é uma expressão utilizada para se exercer um novo tipo de censura, a “censura envergonhada”.
Todos esses fenômenos possuem origem na nova ordem mundial, em um mundo desenhado na hegemonia unipolar dos EUA.
O que se instalou foi uma época regressiva, ou contra-revolucionária, pobre de espírito, mesquinha, intolerante, de fragmentação social.
Portanto o que estamos vivendo é uma crise de civilização, associada a uma crise sistêmica da atual ordem econômica mundial, com a resistência dos povos a essa hegemonia, como ocorre atualmente no Egito e mundo árabe.
Esse multiculturalismo global transformou falsos conceitos em política de Estado. Assim foi no Brasil, nos últimos dezesseis anos, em duas gestões presidenciais distintas, com consequências perniciosas ao pensamento avançado no País.
Na semana passada o premiê inglês Cameron e a chanceler alemã Merkel em entrevista coletiva disseram que o multiculturalismo perdeu a sua utilidade e decretaram a sua falência. A criatura já não é mais útil aos seus criadores. Essa morte anunciada, sinal dos tempos, provocará um terremoto cultural no mundo. Ainda bem.
* Artigo de Eduardo Bomfim, Advogado, membro do Comitê Central do PCdoB.
FONTE: PORTAL VERMELHO. http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3808&id_coluna=16
FONTE: PORTAL VERMELHO. http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=3808&id_coluna=16
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2011!
Amigos e Amigas,
no ano de 2010
elegemos uma mulher na presidência,
sendo a terceira vitória de nosso projeto popular progressista no país.
A América do Sul ecoa ânimo na superação das dificuldades históricas.
A Humanidade vive um novo limiar
de renascimento científico, cultural e civilizatório.
Um novo Humanismo vai predominar,
com direitos iguais para todos, solidariedade, liberdade.
Em 2011 desejamos, de forma muito otimista,
que possamos fazer avançar essas fronteiras da mudança.
E que o exemplo de paz e amor do menino Jesus,
seja-nos a inspiração da nossa busca cotidiana por um Mundo Melhor!
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Pesquisa com Cuidadores de Idosos mostra que falta Capacitação.
Graziela Félix Cornélio desenvolveu o trabalho de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) orientado pela professora Ilda de Godoy.
A maioria das pessoas não gostaria de ver um parente seu, após atingir a terceira idade, vivendo longe da família, ainda que seja em uma instituição especializada. Mas como em alguns casos essa situação é inadiável, o que se espera é que as pessoas designadas para cuidar do idoso reúna todas as condições para desempenhar a função.
E será que é sempre assim? Foi essa a resposta que o trabalho de mestrado da enfermeira Graziela Félix Cornélio, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) orientado pela professora Ilda de Godoy, estudou. Ela pesquisou nove instituições de Botucatu que cuidam de idosos e são cadastradas na Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde.
Entre outros fatores, foi analisada a formação e o conhecimento dos cuidadores, o processo de gerenciamento dos recursos da unidade, a quantidade de profissionais disponíveis e até as dificuldades quanto ao cuidado oferecido aos usuários do serviço. Um levantamento de 2010 feito em instituições brasileiras mostra que a maior parte dos gastos em instituições que cuidam de idosos é com recursos humanos.
Foram feitas entrevistas com os cuidadores, responsáveis técnicos e coordenadores das instituições. Após meses de investigação, Graziela chegou a algumas conclusões, como: 58,1% dos cuidadores tinham formação na área da saúde - entretanto poucas instituições usam esse critério como principal na hora da contratação - e somente 9,3% tinham cursos específicos para o atendimento a idosos (34,9% tinham o primeiro grau incompleto). “Percebi, ainda, que há dificuldades com as condições e organização do trabalho; falta quantidade de recursos humanos e também há falta de habilidade técnica e psicológica dos trabalhadores para cuidar dos idosos”, comenta a autora da pesquisa.
Uma constatação que surpreendeu a pesquisadora é que, durante as conversas com os cuidadores, a capacitação não foi apontada como prioridade. “A maioria dos funcionários das instituições por onde passei procurou esse serviço por necessidade financeira”, afirma Graziela
Segundo a enfermeira, foi possível identificar que muitos cuidadores enxergam os idosos com base em alguns mitos e estereótipos. Eles são classificados, conforme a pesquisa, como inativos, improdutivos, rígidos, inflexíveis e sem vida sexual. “Os cuidadores acham que por ser idosa a pessoa necessariamente tem incontinência urinária e que devem usar tom de voz alto para falar com eles, sendo que nem todos têm deficiência auditiva”, acrescenta a enfermeira.
O outro lado
A pesquisa de Graziela também analisou as limitações enfrentadas pelos responsáveis técnicos e coordenadores nas instituições. Como mais citadas apareceram as dificuldades para encaminhar ou receber os idosos de outros serviços; demora no atendimento; número insuficiente de recursos humanos e materiais com necessidade de doações para a unidade e falta de apoio público e da família. “Muitos me disseram que os familiares são radicais, cobram demais ou abandonam o idoso. No entanto, os responsáveis e coordenadores também não capacitam os cuidadores de forma sistemática e permanente”, declara.
A autora do trabalho conclui que só uma boa formação na área da saúde pode facilitar a compreensão sobre o processo de envelhecimento. Para ela, os temas contidos no conteúdo de geriatria precisam ser expandidos para os cursos oferecidos aos profissionais da área. “Também pude identificar que não é mais o abandono que faz a maioria dos idosos irem parar nessas instituições, mas sim a falta de estrutura da família para cuidar deles. Também não são apenas idosos sem família que passam por isso. Os serviços precisam estar preparados para receber os usuários. A maioria deles não oferece opções de lazer e a maior parte dos idosos nestas instituições era dependente total, sendo necessária uma seleção mais criteriosa dos cuidadores”, pontua.
Graziela sugere que os cuidadores de idosos sejam capacitados por equipes multidisciplinares, através de parcerias com universidades por meio de projetos de extensão, por exemplo. “As instituições precisam oferecer atividades de capacitação permanente aos cuidadores com intermédio de entidades e órgãos envolvidos no cuidado ao idoso e estes trabalhadores não podem trabalhar sobrecarregados; têm que ter suas necessidades ouvidas. É necessário oferecer atividades de lazer tanto aos idosos como para os cuidadores. Disso depende a qualidade da assistência oferecida”, cita ela, que pretende, com base nesses e outros resultados da pesquisa, propor projetos para auxiliar as instituições botucatuenses.
Leandro Rocha
Assessoria de Comunicação e Imprensa da FMB/Unesp e HCFMB
FONTE: SITE DA UNESP - FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU.
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PS. A pesquisadora é minha inteligente irmã, que defendeu sua tese de Mestrado, em setembro de 2010, aplaudida com louvor, na ocasião. O estudo, em discussão, tem resultado importantes conclusões e "frutos" na busca pelas melhorias na saúde do homem, especialmente, na terceira idade. Espero que gostem e possam usufruir de sua relevante utilidade!
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Sem privilégios a Globo, DILMA concede sua primeira entrevista à TV Record!
Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil, escolheu a TV Record para dar sua primeira entrevista exclusiva na noite desta segunda-feira (1º). Dilma respondeu às perguntas das jornalistas Ana Paula Padrão e Adriana Araújo, do Jornal da Record, no hotel Imperial, em Brasília.
Desde o fim do regime militar, nenhum presidente democraticamente eleito tinha dado sua primeira entrevista para outra emissora que não fosse a Globo. Em 2002, assim que foi eleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu, em 28 de outubro, a primeira entrevista para a TV Globo, na bancada do Jornal Nacional, nos estúdios da emissora em São Paulo. Em 2006, quando foi reeleito, o presidente Lula também falou primeiro à Globo, direto do Palácio do Planalto.
Desta vez, um dia após ser eleita com 56,05% dos votos válidos, Dilma afirmou à Record que suceder Lula “é uma oportunidade para cuidar do povo brasileiro. A nova presidente falou sobre a emoção de receber a notícia da vitória. “Eu chorei. A gente chora às vezes para dentro e um pouco para fora. Eu chorei para os dois lados.”
Sobre a posse, Dilma disse que terá sentimentos contrários. “Vou ficar muito alegre por estar assumindo a Presidência e, ao mesmo tempo triste, por ser a despedida do Lula, com quem eu tive um desafio imenso e muitas realizações. Várias conquistas e várias realizações nós conseguimos juntos. Para mim vai ser um momento de muita emoção.”
Dilma afirmou que, durante esta segunda-feira, falou com vários chefes de Estado que ligaram para cumprimentá-la pela vitória. A presidente eleita conversou com os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama; da França, Nicolas Sarkozy; do México, Felipe Calderón; do Chile, Sebastián Piñera e de El Salvador, Maurício Funes.
Em relação à política econômica de seu governo, Dilma afirmou que vai manter os princípios da administração do presidente Lula. “Eu te garanto o seguinte, uma coisa é certa: manterei todos os princípios que regeram o nosso governo. Nos não brincaremos com a inflação.”
A presidente descartou qualquer controle da imprensa, mas disse que tem o direito de se defender quando é atingida. “Sempre brinco que controle remoto é o melhor que pode ter por parte da população em relação à mídia. Ele decide ao que vai assistir, o que vai ler. Eu prefiro as vozes críticas. Vivi a ditadura e sei do que se trata.”
Dilma também reafirmou seu compromisso com a erradicação da miséria no país e lembrou que, de acordo com os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há ainda no Brasil 21 milhões de pessoas pobres. “Não seremos nem um país nem uma sociedade desenvolvida enquanto houver miséria. Eu acredito que esse é um processo que temos de iniciar e colocar na pauta da sociedade.”
A presidente eleita disse ainda que seu governo terá metas para prover melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança pública. “Um dos primeiros atos que eu terei será fazer uma conclamação aos governadores sobre saúde pública e segurança pública.”
No final do encontro, que durou 15 minutos, Dilma ainda fez uma promessa às duas: a Record será a primeira a anunciar o novo ministério escolhido pela presidente. A promessa se deu quando Dilma foi questionada sobre o papel que o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) poderia desempenhar no governo, bem como a composição de sua futura equipe. “Eu ainda não tratei disso. Mas, quando eu tratar, vocês serão as primeiras a saber.”
Da Redação, com informações do R7 . FONTE: PORTAL VERMELHO.
Desta vez, um dia após ser eleita com 56,05% dos votos válidos, Dilma afirmou à Record que suceder Lula “é uma oportunidade para cuidar do povo brasileiro. A nova presidente falou sobre a emoção de receber a notícia da vitória. “Eu chorei. A gente chora às vezes para dentro e um pouco para fora. Eu chorei para os dois lados.”
Sobre a posse, Dilma disse que terá sentimentos contrários. “Vou ficar muito alegre por estar assumindo a Presidência e, ao mesmo tempo triste, por ser a despedida do Lula, com quem eu tive um desafio imenso e muitas realizações. Várias conquistas e várias realizações nós conseguimos juntos. Para mim vai ser um momento de muita emoção.”
Dilma afirmou que, durante esta segunda-feira, falou com vários chefes de Estado que ligaram para cumprimentá-la pela vitória. A presidente eleita conversou com os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama; da França, Nicolas Sarkozy; do México, Felipe Calderón; do Chile, Sebastián Piñera e de El Salvador, Maurício Funes.
Em relação à política econômica de seu governo, Dilma afirmou que vai manter os princípios da administração do presidente Lula. “Eu te garanto o seguinte, uma coisa é certa: manterei todos os princípios que regeram o nosso governo. Nos não brincaremos com a inflação.”
A presidente descartou qualquer controle da imprensa, mas disse que tem o direito de se defender quando é atingida. “Sempre brinco que controle remoto é o melhor que pode ter por parte da população em relação à mídia. Ele decide ao que vai assistir, o que vai ler. Eu prefiro as vozes críticas. Vivi a ditadura e sei do que se trata.”
Dilma também reafirmou seu compromisso com a erradicação da miséria no país e lembrou que, de acordo com os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há ainda no Brasil 21 milhões de pessoas pobres. “Não seremos nem um país nem uma sociedade desenvolvida enquanto houver miséria. Eu acredito que esse é um processo que temos de iniciar e colocar na pauta da sociedade.”
A presidente eleita disse ainda que seu governo terá metas para prover melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança pública. “Um dos primeiros atos que eu terei será fazer uma conclamação aos governadores sobre saúde pública e segurança pública.”
No final do encontro, que durou 15 minutos, Dilma ainda fez uma promessa às duas: a Record será a primeira a anunciar o novo ministério escolhido pela presidente. A promessa se deu quando Dilma foi questionada sobre o papel que o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) poderia desempenhar no governo, bem como a composição de sua futura equipe. “Eu ainda não tratei disso. Mas, quando eu tratar, vocês serão as primeiras a saber.”
Da Redação, com informações do R7 . FONTE: PORTAL VERMELHO.
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Artistas e Intelectuais lançam manifesto pró-Dilma.
Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader e Eric Nepumuceno está articulando adesões a um manifesto de apoio político à eleição da candidata à Presidência Dilma Rousseff.
O documento convoca os artistas a somarem forças para garantir os avanços alcançados. "Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional", diz o texto.
De acordo com o grupo de artistas e intelectuais, o que está em jogo é muito mais que uma candidatura, e, sim, tudo aquilo que já foi conquistado.
O manifesto será entregue à candidata em um ato político, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro, às 20h. Os autores da carta convocam a população a participar da atividade. Leia abaixo a íntegra do documento:
O manifesto será entregue à candidata em um ato político, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro, às 20h. Os autores da carta convocam a população a participar da atividade. Leia abaixo a íntegra do documento:
MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRÓ-DILMA
Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff. Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimen to econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.
Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.
Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.
Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.
Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.
Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.
Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno
Da redação, com informações de Vi o Mundo
PORTAL VERMELHO: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=139077&id_secao=11
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Analfabetos Políticos processam Tiririca.
Quando o fenômeno Tiririca começava a despontar como algo relevante durante a campanha eleitoral, este Portal, através de brilhante artigo do jornalista José Carlos Ruy, fez uma análise crítica, chamando a atenção para o equívoco de parcela do eleitorado exercer o seu legítimo protesto contra as instituições políticas através do voto folclórico.
Por isso, sentimo-nos à vontade para manifestar repúdio ao processo que movem contra o Tiririca na Justiça Eleitoral de São Paulo. Temos a convicção de que é preciso protestar, sim, contra o sistema político, mas de outra forma, inclusive usando de maneira judiciosa a arma do voto, não o desperdiçando.
Em muitos aspectos o sistema político-eleitoral brasileiro está superado, como expressão da falência do sistema de dominação das classes dominantes. Substituí-lo exige reforma profunda, estrutural, tarefa para um poder político de tipo revolucionário. Mas isso é outra história.
Ao sufragar com mais de 1,3 milhão de votos o palhaço Tiririca, parcela do eleitorado paulista elegeu um personagem, não um candidato. É preciso perguntar-se por quê e extrair as necessárias lições do fenômeno. Setores das classes dominantes, porém, para não enfrentar o problema na sua essência, tomam atitudes que só aumentarão a repulsa às instituições vigentes.
O noticiário de hoje destaca que a Justiça Eleitoral aceitou denúncia contra o deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva por “suspeita de analfabetismo”. O deputado Francisco Everardo é ninguém menos que o intérprete de Tiririca.
A estapafúrdia denúncia nada tem a ver com a necessária crítica ao rebaixamento do voto e do debate político contidos na pitoresca candidatura do palhaço.
Antes, é a mais grosseira manifestação do caráter elitista e antidemocrático das classes dominantes brasileiras. Ao acusar o deputado eleito de analfabeto, como se se tratasse de um crime, o denunciante fala em nome não apenas dos alfabetizados (?!) não eleitos por força da migração de seus votos para o Tiririca. Interpreta o discurso e mimetiza os gestos dos escravocratas, dos burgueses, dos latifundiários, dos rentistas, dos agentes do imperialismo, dos proprietários dos meios de comunicação, cujos patrimônio e poder político sempre repousaram sobre a fome, a miséria, a doença e o analfabetismo de milhões e milhões de tiriricas do Brasil.
A diferença da ação judicial para outras ações de intolerância é apenas de forma. Nunca se deve esquecer que quando as classes dominantes pretendem excluir os miseráveis e os analfabetos da vida política, recorrem também ao látego, à repressão policial e, a depender da exacerbação dos conflitos sociais, à prisão, tortura e assassinato.
Inculpam o Tiririca por analfabetismo, sabendo que a responsabilidade por esta chaga social é das elites dominantes.
O processo aberto na Justiça Eleitoral contra Tiririca é uma ação de analfabetos políticos. Com ela os doutos (?!) senhores que a escreveram dão-lhe uma bandeira política e o transformam em intérprete de uma insatisfação muito mais profunda do que a manifestada através do voto folclórico por parte dos milhões de tiriricas que não tiveram a mesma sorte na vida.
José Reinaldo Carvalho
FONTE: PORTAL VERMELHO.
Em muitos aspectos o sistema político-eleitoral brasileiro está superado, como expressão da falência do sistema de dominação das classes dominantes. Substituí-lo exige reforma profunda, estrutural, tarefa para um poder político de tipo revolucionário. Mas isso é outra história.
Ao sufragar com mais de 1,3 milhão de votos o palhaço Tiririca, parcela do eleitorado paulista elegeu um personagem, não um candidato. É preciso perguntar-se por quê e extrair as necessárias lições do fenômeno. Setores das classes dominantes, porém, para não enfrentar o problema na sua essência, tomam atitudes que só aumentarão a repulsa às instituições vigentes.
O noticiário de hoje destaca que a Justiça Eleitoral aceitou denúncia contra o deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva por “suspeita de analfabetismo”. O deputado Francisco Everardo é ninguém menos que o intérprete de Tiririca.
A estapafúrdia denúncia nada tem a ver com a necessária crítica ao rebaixamento do voto e do debate político contidos na pitoresca candidatura do palhaço.
Antes, é a mais grosseira manifestação do caráter elitista e antidemocrático das classes dominantes brasileiras. Ao acusar o deputado eleito de analfabeto, como se se tratasse de um crime, o denunciante fala em nome não apenas dos alfabetizados (?!) não eleitos por força da migração de seus votos para o Tiririca. Interpreta o discurso e mimetiza os gestos dos escravocratas, dos burgueses, dos latifundiários, dos rentistas, dos agentes do imperialismo, dos proprietários dos meios de comunicação, cujos patrimônio e poder político sempre repousaram sobre a fome, a miséria, a doença e o analfabetismo de milhões e milhões de tiriricas do Brasil.
A diferença da ação judicial para outras ações de intolerância é apenas de forma. Nunca se deve esquecer que quando as classes dominantes pretendem excluir os miseráveis e os analfabetos da vida política, recorrem também ao látego, à repressão policial e, a depender da exacerbação dos conflitos sociais, à prisão, tortura e assassinato.
Inculpam o Tiririca por analfabetismo, sabendo que a responsabilidade por esta chaga social é das elites dominantes.
O processo aberto na Justiça Eleitoral contra Tiririca é uma ação de analfabetos políticos. Com ela os doutos (?!) senhores que a escreveram dão-lhe uma bandeira política e o transformam em intérprete de uma insatisfação muito mais profunda do que a manifestada através do voto folclórico por parte dos milhões de tiriricas que não tiveram a mesma sorte na vida.
José Reinaldo Carvalho
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
PESQUISAS DESMENTEM DATAFOLHA E APONTAM DILMA ELEITA NO 1o. TURNO!
Duas pesquisas de intenções de voto divulgadas na manhã desta quarta-feira (29) desmantelaram a versão de que as eleições presidenciais caminham, naturalmente, para o segundo turno. De acordo com os levantamentos CNI/Ibope e CNT/Sensus, a candidata Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, mantém larga liderança e deve vencer, já em 3 de outubro, a disputa contra José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).
Conforme os números da CNI/Ibope concluída na segunda-feira, Dilma venceria a eleição no primeiro turno com 50% dos votos totais — e 55% dos votos válidos (que excluem indecisos, brancos e nulos). Serra tem 27%, enquanto Marina apresenta 13%. Outros 8% não sabem ou votarão em branco ou nulo. A pesquisa foi feita entre os dias 25 a 27 de setembro. Foram feitas 3.010 entrevistas em 191 municípios.
Mesmo num cenário em que a margem de erro for totalmente desfavorável a Dilma, a pesquisa não detecta chances de segundo turno. Em relação à pesquisa Ibope da semana passada, Dilma manteve suas intenções de voto, Serra caiu um ponto percentual e Marina cresceu um ponto. O resultado contrasta com a tendência de queda de Dilma apontada pelo Datafolha na sua estranha pesquisa feita integralmente na segunda-feira.
Na simulação de segundo turno entre a petista e o tucano, Dilma venceria a eleição com 55% dos votos, contra 32% de Serra. Em junho, Dilma tinha 45% e Serra 38%. Na hipótese de uma disputa entre Dilma e Marina Silva, Dilma teria 56% dos votos, contra 29% da verde. Em um eventual segundo turno entre Serra e Marina, o tucano venceria a eleição com 43%, contra 35% da candidata verde.
Na pesquisa espontânea, quando o eleitor responde em quem votará sem ter acesso a lista dos candidatos, Dilma lidera as intenções de voto com 44% das indicações; Serra tem 21%, Marina aparece com 10% e o presidente Lula — que não poderia se candidatar, —ainda é apontado por 1% do eleitorado. Os demais candidatos somam 1%. Brancos e nulos chegam a 7%, e outros 18% não souberam responder.
Serra é o que tem o maior índice de rejeição. Segundo o levantamento, 34% dos entrevistados disseram que não votariam nele. Nesse quesito, Marina tem 28% de rejeição e Dilma 27%. Quanto ao partido de preferência dos eleitores, o PT aparece na frente, citado por 27% dos entrevistados, seguido pelo PMDB e PSDB com 5%, cada um. Aqueles que não têm preferência por partido representam 48%.Sensus
Um cenário eleitoral semelhante é detectado pela pesquisa CNT/Sensus. Levantamento do instituto realizado entre os dias 26 e 28 de setembro em 24 estados mostra Dilma com 47,5% de intenções de voto, ante 25,6% de Serra e 11,6% de Marina. Nos votos válidos, a vantagem de Dilma, que tem 54,7%, também é levada. Serra aparece muito atrás, com 29,5%%, seguido de Marina, que tem 13,3%.
No levantamento anterior, Dilma havia registrado 50,5% das intenções de voto, enquanto Serra tinha 26,4% das intenções de voto e Marina registrava 8,9%. A candidata do PV foi a única entre os três principais candidatos a registrar elevação na estimativa das intenções de voto. Os demais candidatos à Presidência mantiveram índices inferiores a 1%
Com esse cenário, Dilma seria eleita ainda no primeiro turno. A margem de erro — de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos — não prevê chances pontuais de segundo turno. Votos brancos e nulos somam 3,6%, ao passo que 9,5% dos entrevistados disseram estar indecisos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 33103/2010.
Da Redação, com agências.
Mesmo num cenário em que a margem de erro for totalmente desfavorável a Dilma, a pesquisa não detecta chances de segundo turno. Em relação à pesquisa Ibope da semana passada, Dilma manteve suas intenções de voto, Serra caiu um ponto percentual e Marina cresceu um ponto. O resultado contrasta com a tendência de queda de Dilma apontada pelo Datafolha na sua estranha pesquisa feita integralmente na segunda-feira.
Na simulação de segundo turno entre a petista e o tucano, Dilma venceria a eleição com 55% dos votos, contra 32% de Serra. Em junho, Dilma tinha 45% e Serra 38%. Na hipótese de uma disputa entre Dilma e Marina Silva, Dilma teria 56% dos votos, contra 29% da verde. Em um eventual segundo turno entre Serra e Marina, o tucano venceria a eleição com 43%, contra 35% da candidata verde.
Na pesquisa espontânea, quando o eleitor responde em quem votará sem ter acesso a lista dos candidatos, Dilma lidera as intenções de voto com 44% das indicações; Serra tem 21%, Marina aparece com 10% e o presidente Lula — que não poderia se candidatar, —ainda é apontado por 1% do eleitorado. Os demais candidatos somam 1%. Brancos e nulos chegam a 7%, e outros 18% não souberam responder.
Serra é o que tem o maior índice de rejeição. Segundo o levantamento, 34% dos entrevistados disseram que não votariam nele. Nesse quesito, Marina tem 28% de rejeição e Dilma 27%. Quanto ao partido de preferência dos eleitores, o PT aparece na frente, citado por 27% dos entrevistados, seguido pelo PMDB e PSDB com 5%, cada um. Aqueles que não têm preferência por partido representam 48%.Sensus
Um cenário eleitoral semelhante é detectado pela pesquisa CNT/Sensus. Levantamento do instituto realizado entre os dias 26 e 28 de setembro em 24 estados mostra Dilma com 47,5% de intenções de voto, ante 25,6% de Serra e 11,6% de Marina. Nos votos válidos, a vantagem de Dilma, que tem 54,7%, também é levada. Serra aparece muito atrás, com 29,5%%, seguido de Marina, que tem 13,3%.
No levantamento anterior, Dilma havia registrado 50,5% das intenções de voto, enquanto Serra tinha 26,4% das intenções de voto e Marina registrava 8,9%. A candidata do PV foi a única entre os três principais candidatos a registrar elevação na estimativa das intenções de voto. Os demais candidatos à Presidência mantiveram índices inferiores a 1%
Com esse cenário, Dilma seria eleita ainda no primeiro turno. A margem de erro — de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos — não prevê chances pontuais de segundo turno. Votos brancos e nulos somam 3,6%, ao passo que 9,5% dos entrevistados disseram estar indecisos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 33103/2010.
Da Redação, com agências.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Dilma supera desempenho de Lula e lidera em todos os estados - Portal Vermelho
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Com 20 pontos de vantagem, Dilma supera Serra até em SP e RS.
A candidata a presidente Dilma Rousseff, da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, manteve sua tendência de alta e foi a 49% das intenções de voto. Dilma abriu 20 pontos de vantagem sobre seu principal adversário, José Serra, do PSDB, que está com 29%, segundo pesquisa Datafolha.
Os contratantes do levantamento, realizada nos dias 23 e 24 com 10.948 entrevistas em todo o país, são a Folha de S.Paulo e a Rede Globo. A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Se a eleição fosse hoje, Dilma teria 55% dos votos válidos (os que são dados apenas aos candidatos) e venceria no primeiro turno.
Todas as oscilações nacionais de voto se deram dentro do limite da margem de erro. Dilma tinha 47% na sondagem do dia 20, enquanto Serra estava com 30%. Marina Silva (PV) manteve-se em 9%. Há 4% que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum. E 8% estão indecisos. Os demais candidatos não pontuaram.
O novo levantamento também indica que Dilma lidera agora em segmentos antes redutos de Serra. A petista passou o tucano em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná e entre os eleitores com maior faixa de renda.
Em São Paulo — estado governado por Serra até abril e por tucanos há 16 anos —, Dilma saiu de 34% na semana passada e está com 41% agora. O ex-governador caiu de 41% para 36%. Na capital paulista, governada por Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, ela tem 41% e ele, 35%.
Já no Rio Grande do Sul, a candidata saiu de 35% e foi a 43%. Já Serra caiu de 43% para 39% entre os gaúchos. Serra se mantém ainda à frente em alguns poucos estratos do eleitorado. Por exemplo, entre os eleitores de Curitiba, capital do Paraná, onde registra 40% contra 31% de sua adversária direta.
BOLSÕES
O avanço da candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando ocorre também em “bolsões serristas”. No levantamento de 9 a 12 deste mês, Serra liderava entre os curitibanos com 43% contra 24% de Dilma, uma vantagem de 19 pontos. Agora, a diferença caiu para nove pontos.
Quando se observam regiões do país, a candidata do PT lidera em todas, inclusive no Sul. Na semana passada, ela estava tecnicamente empatada com Serra, mas numericamente atrás: tinha 38% contra 40% do tucano. Agora, a situação se inverteu, com Dilma indo a 43% e o tucano deslizando para 36% entre eleitores sulistas.
2º TURNO
Como reflexo de seu desempenho geral, Dilma também ampliou a vantagem num eventual segundo turno. Saiu de 53% na semana passada e está com 55%. Serra oscilou de 39% para 36%. Ampliou-se a distância — que era de 14 — para 19 pontos.
Outro dado relevante e que indica um mau sinal para o tucano é a taxa de rejeição. Dilma é rejeitada por 19% dos eleitores, taxa que se mantém estável desde maio. Já Serra está agora com 29% (eram 27% semana passada) e chega a seu maior percentual neste ano.
Na pesquisa espontânea, quando os eleitores não escolhem os nomes de uma lista de candidatos, Dilma foi a 35% contra 18% de Serra. No levantamento anterior, os percentuais eram 31% e 17%, respectivamente. A pesquisa está registrada no TSE sob o número 25.473/2010.
Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo
FONTE: PORTAL VERMELHO.
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=135751&id_secao=1
Os contratantes do levantamento, realizada nos dias 23 e 24 com 10.948 entrevistas em todo o país, são a Folha de S.Paulo e a Rede Globo. A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Se a eleição fosse hoje, Dilma teria 55% dos votos válidos (os que são dados apenas aos candidatos) e venceria no primeiro turno.
Todas as oscilações nacionais de voto se deram dentro do limite da margem de erro. Dilma tinha 47% na sondagem do dia 20, enquanto Serra estava com 30%. Marina Silva (PV) manteve-se em 9%. Há 4% que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum. E 8% estão indecisos. Os demais candidatos não pontuaram.
O novo levantamento também indica que Dilma lidera agora em segmentos antes redutos de Serra. A petista passou o tucano em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná e entre os eleitores com maior faixa de renda.
Em São Paulo — estado governado por Serra até abril e por tucanos há 16 anos —, Dilma saiu de 34% na semana passada e está com 41% agora. O ex-governador caiu de 41% para 36%. Na capital paulista, governada por Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, ela tem 41% e ele, 35%.
Já no Rio Grande do Sul, a candidata saiu de 35% e foi a 43%. Já Serra caiu de 43% para 39% entre os gaúchos. Serra se mantém ainda à frente em alguns poucos estratos do eleitorado. Por exemplo, entre os eleitores de Curitiba, capital do Paraná, onde registra 40% contra 31% de sua adversária direta.
BOLSÕES
O avanço da candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando ocorre também em “bolsões serristas”. No levantamento de 9 a 12 deste mês, Serra liderava entre os curitibanos com 43% contra 24% de Dilma, uma vantagem de 19 pontos. Agora, a diferença caiu para nove pontos.
Quando se observam regiões do país, a candidata do PT lidera em todas, inclusive no Sul. Na semana passada, ela estava tecnicamente empatada com Serra, mas numericamente atrás: tinha 38% contra 40% do tucano. Agora, a situação se inverteu, com Dilma indo a 43% e o tucano deslizando para 36% entre eleitores sulistas.
2º TURNO
Como reflexo de seu desempenho geral, Dilma também ampliou a vantagem num eventual segundo turno. Saiu de 53% na semana passada e está com 55%. Serra oscilou de 39% para 36%. Ampliou-se a distância — que era de 14 — para 19 pontos.
Outro dado relevante e que indica um mau sinal para o tucano é a taxa de rejeição. Dilma é rejeitada por 19% dos eleitores, taxa que se mantém estável desde maio. Já Serra está agora com 29% (eram 27% semana passada) e chega a seu maior percentual neste ano.
Na pesquisa espontânea, quando os eleitores não escolhem os nomes de uma lista de candidatos, Dilma foi a 35% contra 18% de Serra. No levantamento anterior, os percentuais eram 31% e 17%, respectivamente. A pesquisa está registrada no TSE sob o número 25.473/2010.
Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo
FONTE: PORTAL VERMELHO.
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=135751&id_secao=1
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Cultura como Política Pública: 07 anos em 07 minutos, pelo Ministro Juca Ferreira.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
DILMA E AS MENINAS NO PODER!
A campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República desenha uma estratégia para tentar reverter a desvantagem que a ex-ministra da Casa Civil tem nas pesquisas de intenção de voto entre o eleitorado feminino. O esforço é importante, já que dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicam que as mulheres são a maioria (51,81%) entre os 134.080.517 eleitores brasileiros.
Segundo a última pesquisa Ibope, feita entre os dias 27 e 30 de junho, o principal adversário de Dilma, José Serra (PSDB), tem vantagem de sete pontos porcentuais (41% a 34%) sobre Dilma no eleitorado feminino. Porém, a mesma pesquisa indica que uma parcela importante das mulheres ainda não conhece a candidata ou não a associa como sendo candidata do presidente Lula, o que significa que há um espaço grande para ser conquistado por Dilma entre as eleitoras.
DISCURSO DE IGUALDADE:
Os partidos que sustentam a candidatura da ex-ministra decidiram estabelecer um comitê nacional conjunto com suas lideranças femininas a fim de criar uma agenda de campanha especificamente voltada às mulheres. Dilma também deverá contar com o mesmo tipo de comitê suprapartidário em cada uma das 27 unidades da federação.
Porém, diz a secretária nacional de Mulheres do PT, Laisy Moriére, o discurso será de igualdade. "O discurso será de igualdade entre homens e mulheres no trabalho, na vida cotidiana, na vida profissional e em todos os segmentos da sociedade. [...] Vamos fazer material específico para mostrar para a mulher o porquê de se eleger uma mulher presidenta do Brasil".
Algumas iniciativas já estão em andamento. Segundo Laisy Moriére, em agosto deve ocorrer um evento nacional para aproximar Dilma do público feminino. Em setembro, os comitês estaduais organizarão uma série de passeatas. A candidata deve participar de parte delas, acrescentou a secretária petista.
Segundo o comando da campanha, a candidata vai elucidar mais propostas "ao longo do processo eleitoral" — e o combate à desigualdade entre homens e mulheres permeará todas as políticas públicas de um eventual governo Dilma. "Estamos coletando propostas de outros partidos da coligação", disse o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores políticos.
As diretrizes do programa de governo de Dilma pregam a necessidade de políticas públicas para "desconstruir a cultura machista e patriarcal que aprofundam a desigualdade e a exclusão social de mulheres". No programa protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a questão da mulher também é abordada em capítulo intitulado Fortalecer o Estado e construir a igualdade para aprofundar a autonomia política, econômica e social das mulheres.
"O terceiro governo do PT deve ter como eixo estruturante do seu programa a construção da igualdade entre mulheres e homens", diz trecho do documento. As propostas pregam o "fortalecimento da Secretaria Especial para as Mulheres" e citam como prioridades a promoção da saúde da mulher, o combate à violência e a ampliação da participação de mulheres em espaços de poder.
DILMA: AS MENINAS NA PRESIDÊNCIA.
A própria Dilma já deu início ao movimento. Tem comparecido a frequentes reuniões com mulheres. Nas ruas, a candidata também tem feito apelo às eleitoras procurando afastar o preconceito. Em caminhada no centro de São Paulo na semana passada, a cor lilás, símbolo da luta feminista, estava por todos os lados e foi a base do tecido de uma faixa com os dizeres "Lugar de mulher é na Política".
Já na convenção que formalizou sua candidatura, painéis, vídeos e discursos tinham como pano de fundo o tema da mulher. Fotos de ícones da história do país foram colocadas no evento com a frase "Elas mudaram o país". A ex-ministra também atua para evitar ser alvo de preconceito do público masculino.
Na terça (13), discursando durante a inauguração de seu comitê nacional, Dilma citou argumentos que teria ouvido de uma eleitora para assegurar que seu governo não seria voltado apenas à parcela feminina do país. "Nós, mulheres, somos 52 por cento. Os outros 48% são nossos filhos, daí porque fica tudo em casa e mulher não discrimina ninguém".
No mesmo evento, um trecho do discurso que chamou atenção do público já havia sido utilizado pela candidata tanto na convenção do PT quanto no site e no Twitter da petista. Trata-se da história do encontro com uma menina chamada Vitória, em um aeroporto que não foi especificado, que perguntou se uma mulher podia ser presidente da República. "Antes, menina não queria saber de ser presidente. Eu mesma quis ser trapezista, bailarina e bombeira. Elas [as meninas] não queriam, não podiam querer. Agora, a partir da minha eleição, as meninas desse país terão os mesmos sonhos que os meninos", disse Dilma.
VICE MICHEL TEMER COLABORA COM ESTRATÉGIA:
A campanha governista também pretende usar experiências do vice de Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Segundo fonte do PMDB, as propagandas da dupla ressaltarão, por exemplo, que Temer criou a primeira delegacia de defesa da mulher do país quando foi secretário de Segurança do Estado de São Paulo.
Ontem, durante discurso na inauguração do comitê de campanha, Temer afirmou que o público de Brasília era um dos mais animados que já tinha visto e que se orgulha de estar ao lado de Dilma nessa caminhada, assim como as mulheres do Brasil. "O que eu quero dizer a todos é que eu tenho um orgulho extraordinário de partilhar essa campanha com a candidata Dilma Rousseff. As brasileiras estão animadas ao saber que uma mulher será presidente do Brasil", afirmou Temer.
Temer também será o intermediário, pelo PMDB, das propostas do seu partido para o programa de governo de Dilma nos itens que dizem respeito às mulheres. Nesta semana, a presidente do PMDB Mulher, a ex-deputada federal Maria Elvira, reclamou com Temer da ausência de tópicos específicos sobre políticas de gênero e defesa das minorias no documento que o PMDB apresentou à campanha de Dilma com propostas para o programa de governo. "O governo Lula avançou bastante no setor, mas ainda temos que avançar muito na política reprodutiva, na construção de creches, na educação", opina Maria Elvira. Para o PMDB Mulher, os temas que devem merecer a atenção da candidata petista são violência familiar, habitação e saúde da mulher.
BLOGS PARTICIPAM DA INICIATIVA:
Na internet, uma outra iniciativa dirigida às mulheres tem mostrado resultados positivos. O blog Mulheres com Dilma divulga todas as atividades da campanha dirigidas ao público feminino. Publica depoimentos de mulheres em apoio a Dilma e elabora matérias sobre projetos de lei e iniciativas governamentais que beneficiam as mulheres.
Além do Mulheres com Dilma, vários outros blogs têm colaborado para disseminar a candidatura pela rede mundial de computadores. É o caso do Eleitoras Brasileiras, mantido voluntariamente pela mineira Jany Rodrigues. "Acompanhando os últimos acontecimentos e a possibilidade forte de ver uma mulher ocupando a presidência da República me fez querer participar dessa campanha", diz a blogueira. "Eu queria envolver as mulheres no debate, sem importar o partido", acrescenta.
As gaúchas comunistas também encontraram na internet um lugar democrático para as discussões políticas – é o PCdoB Mulheres. “Usamos nosso blog para postar conteúdo de confiança, porque na internet circula muita informação, mas nem todas são verdadeiras”, ressalta a blogueira Flávia Moreira, responsável por moderar a página na web.
Flávia conta que mesmo o blog sendo de militantes comunistas, elas estão abertas ao debate e aceitam a participação de todos os partidos. “A nossa ideia é criar um espaço onde as mulheres possam encontrar informações para embasar as discussões, falar sobre a importância de um comprometimento político, em especial, nesse momento onde percebemos o aumento das mulheres na política”, conta.
Nos próximos dias o blog das mulheres do PCdoB vai publicar uma série de matérias sobre a história da participação feminina na política. “Estamos preparando um material com matérias e depoimentos de vídeo para valorizar essas mulheres que abriram espaço para a transformação que estamos vivendo hoje”.
UBM LANÇA CAMPANHA:
Em outro front, a União Brasileira de Mulheres (UBM), uma das mais importantes entidades feministas do país, pretende colocar nas ruas, nos próximos dias, uma campanha de apoio a Dilma. O apoio será publicizado por meio de lançamentos do documento “Mulher seu voto não tem preço. UBM com Dilma para continuar mudando o Brasil!”
No texto , a entidade afirma que "Apoiamos Dilma porque de seu futuro governo depende a conquista de um Brasil com mais desenvolvimento e soberania com distribuição de renda, socialmente equilibrado e ambientalmente construído, onde nós mulheres continuaremos a luta contra a violência de gênero, exigindo o cumprimento da Lei Maria da Penha, batalhando por mais casas abrigo e centros de referência".
O documento diz ainda que "governaremos com Dilma, pois com mais mulheres no poder teremos mais democracia na cidade e no campo e faremos valer a lei dos direitos iguais, tornando as cidades mais humanas".
FONTE:
PORTAL VERMELHO. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=133288&id_secao=1
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
CINEMA PERTO DE VOCÊ!
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lançou nesta quarta-feira (23 de junho), o Programa Cinema Perto de Você, que irá fomentar a implantação de 600 novas salas de exibição no País durante os próximos quatro anos. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Ancine/MinC, Manoel Rangel, também participaram da solenidade que foi realizada no Cine-Teatro do Centro de Convenções de Luziânia (GO).
“Nós entendemos que Luziânia com pouco mais de 240 mil habitantes representa uma parte importante das cidades que nós queremos assistir com o Programa Cinema Perto de Você, convencendo as pessoas de que cinema é uma coisa muito boa”, explicou o presidente Lula sobre a escolha da cidade para abrigar o lançamento do programa nacional. A iniciativa contemplará especialmente as regiões Norte e Nordeste, as cidades mais carentes de salas de exibição e a nova classe C brasileira.
“Não dá para esperar que as pessoas saiam do conforto das suas casas para irem ao cinema. O cinema é que tem que ir até as pessoas”, afirmou o presidente da República ao reconhecer que é necessário mapear os problemas que envolvem as salas de exibição no País para permitir o acesso da população e incentivar os empresários a investir no setor.
Para o ministro Juca Ferreira, é um momento de alegria a assinatura da medida provisória que cria o programa: “A gente trabalha a cultura para que todo brasileiro tenha acesso, independente da classe social. Nós estamos ampliando o mercado dos criadores, incentivando os empresários e ampliando o acesso da população a uma atividade cultural tão importante quanto é o cinema”, declarou.
Programa Cinema Perto de Você
Desenvolvido pelo MinC e pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e operado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a ação foi concebida para contemplar especialmente as regiões mais carentes de salas de exibição e a nova classe C. Por isso, R$ 500 milhões estão disponíveis para os projetos. São R$ 300 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual para empréstimos e investimento. Dos recursos do Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (BNDES Procult), estima-se a aplicação de R$ 200 milhões nos projetos do programa.
“Foi o tempo para encontrar vontades, caminhos. Nós procuramos ouvir os agentes econômicos, grandes e pequenos exibidores, fornecedores de serviços e equipamentos, produtores e distribuidores”, disse o presidente da Ancine/MinC, Manoel Rangel, ao apresentar o contexto, condições, forma de funcionamento e o processo de construção do programa.
O presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC), Ricardo Difini, disse acreditar que o lançamento do programa trará ao encontro do setor outros desafios que estão por vir. “Exibição precisa de incentivo. Apesar de todas as dificuldades do setor, a implantação do programa nos enche de otimismo, pois temos a convicção de que estamos no rumo certo”.
O Programa Cinema Perto de Você compõe um conjunto inédito de mecanismos e ações diversificadas de crédito, investimento e desoneração tributária que incentiva a iniciativa privada e governos municipais e estaduais a investir na expansão do parque exibidor.
Dentre os incentivos fiscais estão a suspensão da exigibilidade por cinco anos dos tributos federais sobre os investimentos credenciados e a aliquota zero de PIS e COFINS incidentes sobre receitas de venda de ingressos e de publicidade dos complexos credenciados no programa. Estima-se, ainda, renúncia fiscal de R$ 168 milhões para os investidores.
(FONTE: Comunicação Social/ Ministério da Cultura)
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Reflexões de Fidel: Enquanto a Bola rola na África, os Estados Unidos armam nova Guerra.
Em mais um artigo de sua série de reflexões, Fidel Castro analisa as ações belicistas dos Estados Unidos, que parecem passar despercebidas por boa parte da população entretida com os jogos da Copa do Mundo. “Haveria de se perguntar quantos, em contrapartida, tomaram conhecimento que desde o dia 20 de junho, navios militares norte-americanos (...) navegam pelas costas iranianas através do canal de Suez”, escreve.
Acompanhe a íntegra a seguir:
Porta-aviões Harry S. Truman, um dos que navegam pelo Canal de Suez
Quando estas linhas tiverem sido publicadas no jornal Granma desta sexta-feira, o dia 26 de Julho – data em que sempre recordamos com orgulho a honra de termos resistido aos ataques do império – estará distante, apesar de faltarem apenas 32 dias.
Os que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade – o imperialismo dos Estados Unidos, uma mescla de mesquinhos interesses materiais, desprezo e subestimação às demais pessoas que habitam o planeta – o calcularam com precisão matemática. Na reflexão do dia 16 de junho, escrevi: “A cada jogo da Copa do Mundo, as diabólicas notícias vão deslizando pouco a pouco, de modo que ninguém se ocupe delas”.
O famoso evento esportivo entrou em seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias, as equipes integradas pelos melhores futebolistas de 32 países estiveram competindo para avançar até a fase de oitavas de final; depois virão sucessivamente as fases de quartas de final, semifinais e o final do evento. O fanatismo esportivo cresce incessantemente, envolvendo talvez centenas de milhares de pessoas em todo o planeta.
Haveria de se perguntar quantos, em contrapartida, tomaram conhecimento que desde o dia 20 de junho, navios militares norte-americanos – incluídos o porta-aviões Harry S. Truman, escoltado por um ou mais submarinos nucleares e outros submarinos de guerra com foguetes e canhões mais potentes que os dos velhos encouraçados utilizados na última guerra mundial entre 1939 e 1945 – navegam pelas costas iranianas através do canal de Suez.
Junto às forças navais ianques, avançam submarinos militares israelenses, com armamento igualmente sofisticado para inspecionar qualquer embarcação que parta para exportar e importar produtos comerciais necessário ao funcionamento da economia iraniana.
O Conselho de Segurança da ONU, por proposta dos Estados Unidos e com o apoio da Grã-Bretanha, França e Alemanha, aprovou uma dura resolução que não foi vetada por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito. Outra resolução, mais dura, foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos. Posteriormente, uma terceira e, todavia mais dura, foi aprovada pelos países da Comunidade Europeia. Tudo isso ocorreu antes do dia 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente do presidente francês Nicolas Sarkozy à Rússia, segundo o noticiário, para encontrar-se com o chefe de Estado desse poderoso país, Dmitri Medvédev, na esperança de negociar com o Irã e evitar o pior.
Agora, trata-se de calcular quando as forças navais dos EUA e de Israel se colocarão frente às costas do Irã e se unirão ali aos porta-aviões e demais submarinos militares norte-americanos que montam guarda nessa região.
O pior é que, assim como os Estados Unidos, Israel – seu gendarme no Oriente Médio – possui moderníssimos aviões de ataque e sofisticadas armas nucleares fornecidos pelos EUA, o que os converteu na sexta potência nuclear do planeta por seu poder de fogo entre as oito reconhecidas como tais, grupo que inclui ainda a Índia e o Paquistão.
O xá do Irã havia sido derrocado pelo aiatolá Ruhollah Komeini em 1979 sem usar uma arma. Os Estados Unidos impuseram a guerra àquela nação com o emprego de armas químicas, cujos componentes forneceu ao Iraque junto com a informação requerida por suas unidades de combate e que foram empregadas por estas contra os Guardiões da Revolução. Cuba o conhece porque era então, como explicado outras vezes, presidente do Movimento de Países Não Alinhados. Sabemos bem os estragos que causou em sua população. Mahmoud Ahmadinejad, hoje chefe de Estado do Irã, foi chefe do sexto exército dos Guardiões da Revolução e chefe do Corpo de Guardiões nas províncias ocidentais do país, que tiveram peso fundamental naquela guerra.
Hoje, em 2010, tanto os EUA como Israel, depois de 31 anos, subestimam milhares de homens das Forças Armadas do Irã e sua capacidade de combate por terra e as forças aéreas, marítimas e terrestres dos Guardiões da Revolução.
A estas se somam os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60 anos, escolhidos e treinados sistematicamente por suas diversas instituições armadas entre os 70 milhões de pessoas que habitam o país.
O governo dos Estados Unidos elaborou um plano para levar a cabo um movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista, que dividiria os iranianos e derrotaria o regime. Tal esperança é inócua. É risível pensar que com os navios de guerra estadunidenses, unidos aos israelenses, despertem as simpatias de apenas um cidadão iraniano.
Acreditava inicialmente, ao analisar a atual situação, que a contenda começaria pela península da Coreia, e ali estaria o detonador da segunda guerra coreana que, por sua vez, daria lugar imediatamente à segunda guerra que os EUA imporiam ao Irã. Agora, a realidade muda as coisas em sentido inverso: a do Irã desatará de imediato a da Coreia.
A administração central da Coreia do Norte, que foi acusada de afundar o navio Cheonan e sabe que o mesmo foi afundado por uma mina que os serviços de inteligência ianques conseguiram colocar no casco desse navio, não esperariam um segundo para agir tão logo se iniciasse um ataque ao Irã.
É muito justo que os fanáticos pelo futebol desfrutem como desejarem das competições da Copa do Mundo. Cumpro apenas o dever de exortar nosso povo, pensando, sobretudo, em nossa juventude, cheia de vida e esperanças, e especialmente em nossas maravilhosas crianças, para que os fatos não nos surpreendam absolutamente desprevenidos.
Dói-me pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e as assombrosas criações feitas em poucos milhares de anos. Quando os sonhos mais revolucionários estão reunidos e a pátria se recupera firmemente, como eu gostaria de estar equivocado!
Fonte: Reflexões de Fidel, no site Cuba Debate, com tradução do Portal Vermelho.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
PCdoB e FMG elaboram plataforma cultural para o programa de Dilma.
Ocorreu nesta quinta-feira (3/7) o 4º Seminário de Cultura promovido pelo PCdoB e a Fundação Maurício Grabois. As discussões se deram em torno das ações em defesa de um projeto nacional de cultura com foco na elaboração de uma plataforma cultural em contribuição a um programa de governo da pré-candidata Dilma Rousseff (PT).
Pela manhã, a mesa "Balanço dos governos Lula na cultura, perspectivas e propostas do PCdoB" teve como debatedores Célio Turino, Jandira Feghali e Elder Vieira, com coordenação de Javier Alfaya.
Embates conceituais sobre cultura e a sistematização de projetos com maior abrangência, no sentido de integrar outras áreas, como educação, turismo e tecnologia, foram questões destacadas na mesa; além dos reconhecidos avanços alcançados pelo atual governo, com importante protagonismo do Ministério da Cultura, inaugurando um novo modo de atuar sobre o tema no Brasil.
O debate concluiu que ainda há muito o que avançar em relação a projetos voltados para a cultura como elemento integrador e emancipador do povo brasileiro. Para isso, foi destacada a importância de se desenvolverem projetos de cultura em concomitância com a educação fundamentalmente. Com esse entendimento, e voltado à construção de um novo avanço civilizacional, é que o partido vislumbra sua contribuição à pré-candidata Dilma na elaboração de um programa nacional de cultura.
Consolidação de linhas de crédito e repasses de recursos para os municípios por parte do governo federal para cultura foram temas muito enfatizados na discussão. Foi considerado, também, ser fundamental equipar e capacitar as estruturas das redes sociais, fortalecendo e proporcionando sua autonomia nas produções culturais.
Avanços e desafios
Fazendo um panorama da situação da cultura no país, o deputado estadual Javier Alfaya (PCdoB/BA) apontou os avanços conquistados no atual governo e o que ainda há para avançar. O deputado baiano considera como avanços a incorporação dos municípios pelo governo federal; a criação da TV Brasil; o empenho do governo em novos programas como o Mais Cultura; e a rede constituída pelos Pontos de Cultura. Javier ressaltou a importância da necessidade de reconhecimento econômico da produção cultural no país, como elemento de geração de renda; pautou que ainda há uma ausência de uma visão sistêmica da cultura e há também uma certa despolitização da questão da cultura. Outro desafio lançado pelo comunista foi o do entendimento que a cultura tem um papel muito mais amplo a conquistar, como no que tange à identidade nacional.
Javier avalia que embora tenham se aprovado projetos para a cultura, houve diluições no rol de propostas, como a do audiovisual - criação da Ancinav, Agência Reguladora do Audiovisual -, que não avançou.
Cultura é processo
Para Célio Turino “cultura não é produto, é processo – no sentido de aprimoramento de pessoas”. O Secretário Nacional de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura entende a cultura como uma questão de emancipação social, e nesse ponto acredita que ainda há que se dar um passo adiante para extinguir o limite existente na política de compartilhamento Estado-sociedade. “A cultura tem o caráter de fomentador, numa relação dialética Estado-sociedade no fazer cultural, por quem faz cultura”, afirmou.
Célio aponta que o apoio do Estado tem de ir além do financiamento de equipamentos, tem de contribuir com a cidadania e a educação, por meio de políticas voltadas a esse fim, e destaca que é “nesse ponto que está a contribuição do partido”. Para Célio, a cultura tem um papel importante para que se avance em qualidade na educação, a fim de se superar os limites impostos no modelo atual.
Incentivar a participação de jovens em rádios comunitárias, por meio de uma bolsa, por exemplo, seria interessante tanto no aspecto da cidadania, na interação com a comunidade, quanto no aspecto dos avanços civilizatórios que buscamos, de acordo com Célio.
Terceiro salto civilizacional
“O terceiro salto civilizacional perpassa pela cultura em busca de uma narrativa própria do povo brasileiro, do índio pelo índio, da periferia pela periferia, em busca de um auto-retrato, pois o que tivemos foi sempre uma narrativa unidirecional, construída por um olhar externo, com uma visão entrecortada”, finalizou Célio Turino.
Segundo Jandira Feghali temos hoje um histórico de atuação parlamentar que nos dá condições de contribuir na formulação de uma política ampla e integradora, e ressaltou a importância da eleição de uma figura como Dilma Rousseff para avançar.
Uma questão fundamental, para a ex-secretária municipal de cultura do Rio de Janeiro, é a relação entre educação e cultura como uma relação emancipadora e formadora de cidadania, segundo ela, é por aí que uma política nacional para cultura deve ser permeada.
Centro é o papel do Estado
Jandira entende que o centro do debate de 2010 será sobre o papel do Estado. Para ela, o Estado deve ser fomentador de cultura, por acreditar que a cultura tem um papel transformador, de modo a contribuir para um espírito crítico da população. Mas a carioca ressalva que o Estado não cria nem faz cultura, mas sim induz e formula.
Outro ponto levantado por Jandira foi o da terceirização de mais da metade dos funcionários nos ministérios – e no próprio Ministério da Cultura. Tal fato não permite que se crie uma memória para se cuidar da cultura, no caso, pois não há profissionais de carreira que dêem continuidade aos projetos.
De acordo com Jandira, a economia criativa deve ter uma garantia orçamentária e deve, também, ser ampliada em seus diversos segmentos – literatura, artesanato, gastronomia, tecnologia, etc. –, pois é estratégica, contribuindo consideravelmente no PIB de diversos países. A dirigente do PCdoB defendeu que também é muito importante a realização de pesquisas como de uma cartografia social urbana, buscando se planejar a preservação do patrimônio histórico construído, assim como da ambiência cultural, e observar a estética dos espaços e dos equipamentos públicos, "o design da cultura", como definiu.
Banda larga
No que se refere a banda larga, Jandira considera importante estarmos atentos ao conteúdo, para que este seja realmente democratizado, e comparou com a situação da TV aberta, onde há uma monopolização da informação. Para ela, que tem um histórico de luta pela democratização da comunicação, especialmente no período em que ocupou uma vaga na Câmara dos Deputados, é preciso haver uma distribuição de recursos no país, assim como produções regionalizadas, pois os espaços locais são ambientes privilegiados de elaboração de cultura em constante evolução, constituídos em âmbitos da diversidade criativa.
Jandira finalizou destacando a necessidade de se formular uma política de cultura emancipadora e inclusiva, no sentido da construção de uma narrativa própria do povo e da inserção dessa cultura nas TVs públicas.
Cultura de classe
Após as exposições da mesa foram feitas algumas intervenções e questionamentos pertinentes e agregadores ao debate. Adalberto Monteiro, secretário nacional de formação do PCdoB, destacou que “numa sociedade de classe, a cultura também é de classe, e o nosso papel é de sermos garimpeiros da cultura e darmos condições para as pessoas fazerem”.
Já Manoel Rangel, diretor presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), enfatizou os avanços do Ministério da Cultura. Para ele, "partido praticamente do zero", o Ministério conseguiu se democratizar, sendo mais articulado, fazendo um diálogo com os movimentos sociais em torno da atividade cultural do país. Valorizou ainda o desenvolvimento de projetos como o Vale Cultura, que visa a democratização no acesso à cultura às classes menos favorecidas da população.
Para o presidente da Ancine, foi superada a lógica da cultura enquanto negócio bom, lucrativo e pronto. Em termos de desafios, Manoel Rangel crê que o avanço necessário é "dar autonomia de produção às pessoas, dar espaço a todos que queiram produzir. Devemos transitar na heterogeneidade que a gente vive", finalizou.
Da redação, com Fundação Maurício Grabois
Fonte: Portal Vermelho. http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=130880&id_secao=3
Pela manhã, a mesa "Balanço dos governos Lula na cultura, perspectivas e propostas do PCdoB" teve como debatedores Célio Turino, Jandira Feghali e Elder Vieira, com coordenação de Javier Alfaya.
Embates conceituais sobre cultura e a sistematização de projetos com maior abrangência, no sentido de integrar outras áreas, como educação, turismo e tecnologia, foram questões destacadas na mesa; além dos reconhecidos avanços alcançados pelo atual governo, com importante protagonismo do Ministério da Cultura, inaugurando um novo modo de atuar sobre o tema no Brasil.
O debate concluiu que ainda há muito o que avançar em relação a projetos voltados para a cultura como elemento integrador e emancipador do povo brasileiro. Para isso, foi destacada a importância de se desenvolverem projetos de cultura em concomitância com a educação fundamentalmente. Com esse entendimento, e voltado à construção de um novo avanço civilizacional, é que o partido vislumbra sua contribuição à pré-candidata Dilma na elaboração de um programa nacional de cultura.
Consolidação de linhas de crédito e repasses de recursos para os municípios por parte do governo federal para cultura foram temas muito enfatizados na discussão. Foi considerado, também, ser fundamental equipar e capacitar as estruturas das redes sociais, fortalecendo e proporcionando sua autonomia nas produções culturais.
Avanços e desafios
Fazendo um panorama da situação da cultura no país, o deputado estadual Javier Alfaya (PCdoB/BA) apontou os avanços conquistados no atual governo e o que ainda há para avançar. O deputado baiano considera como avanços a incorporação dos municípios pelo governo federal; a criação da TV Brasil; o empenho do governo em novos programas como o Mais Cultura; e a rede constituída pelos Pontos de Cultura. Javier ressaltou a importância da necessidade de reconhecimento econômico da produção cultural no país, como elemento de geração de renda; pautou que ainda há uma ausência de uma visão sistêmica da cultura e há também uma certa despolitização da questão da cultura. Outro desafio lançado pelo comunista foi o do entendimento que a cultura tem um papel muito mais amplo a conquistar, como no que tange à identidade nacional.
Javier avalia que embora tenham se aprovado projetos para a cultura, houve diluições no rol de propostas, como a do audiovisual - criação da Ancinav, Agência Reguladora do Audiovisual -, que não avançou.
Cultura é processo
Para Célio Turino “cultura não é produto, é processo – no sentido de aprimoramento de pessoas”. O Secretário Nacional de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura entende a cultura como uma questão de emancipação social, e nesse ponto acredita que ainda há que se dar um passo adiante para extinguir o limite existente na política de compartilhamento Estado-sociedade. “A cultura tem o caráter de fomentador, numa relação dialética Estado-sociedade no fazer cultural, por quem faz cultura”, afirmou.
Célio aponta que o apoio do Estado tem de ir além do financiamento de equipamentos, tem de contribuir com a cidadania e a educação, por meio de políticas voltadas a esse fim, e destaca que é “nesse ponto que está a contribuição do partido”. Para Célio, a cultura tem um papel importante para que se avance em qualidade na educação, a fim de se superar os limites impostos no modelo atual.
Incentivar a participação de jovens em rádios comunitárias, por meio de uma bolsa, por exemplo, seria interessante tanto no aspecto da cidadania, na interação com a comunidade, quanto no aspecto dos avanços civilizatórios que buscamos, de acordo com Célio.
Terceiro salto civilizacional
“O terceiro salto civilizacional perpassa pela cultura em busca de uma narrativa própria do povo brasileiro, do índio pelo índio, da periferia pela periferia, em busca de um auto-retrato, pois o que tivemos foi sempre uma narrativa unidirecional, construída por um olhar externo, com uma visão entrecortada”, finalizou Célio Turino.
Segundo Jandira Feghali temos hoje um histórico de atuação parlamentar que nos dá condições de contribuir na formulação de uma política ampla e integradora, e ressaltou a importância da eleição de uma figura como Dilma Rousseff para avançar.
Uma questão fundamental, para a ex-secretária municipal de cultura do Rio de Janeiro, é a relação entre educação e cultura como uma relação emancipadora e formadora de cidadania, segundo ela, é por aí que uma política nacional para cultura deve ser permeada.
Centro é o papel do Estado
Jandira entende que o centro do debate de 2010 será sobre o papel do Estado. Para ela, o Estado deve ser fomentador de cultura, por acreditar que a cultura tem um papel transformador, de modo a contribuir para um espírito crítico da população. Mas a carioca ressalva que o Estado não cria nem faz cultura, mas sim induz e formula.
Outro ponto levantado por Jandira foi o da terceirização de mais da metade dos funcionários nos ministérios – e no próprio Ministério da Cultura. Tal fato não permite que se crie uma memória para se cuidar da cultura, no caso, pois não há profissionais de carreira que dêem continuidade aos projetos.
De acordo com Jandira, a economia criativa deve ter uma garantia orçamentária e deve, também, ser ampliada em seus diversos segmentos – literatura, artesanato, gastronomia, tecnologia, etc. –, pois é estratégica, contribuindo consideravelmente no PIB de diversos países. A dirigente do PCdoB defendeu que também é muito importante a realização de pesquisas como de uma cartografia social urbana, buscando se planejar a preservação do patrimônio histórico construído, assim como da ambiência cultural, e observar a estética dos espaços e dos equipamentos públicos, "o design da cultura", como definiu.
Banda larga
No que se refere a banda larga, Jandira considera importante estarmos atentos ao conteúdo, para que este seja realmente democratizado, e comparou com a situação da TV aberta, onde há uma monopolização da informação. Para ela, que tem um histórico de luta pela democratização da comunicação, especialmente no período em que ocupou uma vaga na Câmara dos Deputados, é preciso haver uma distribuição de recursos no país, assim como produções regionalizadas, pois os espaços locais são ambientes privilegiados de elaboração de cultura em constante evolução, constituídos em âmbitos da diversidade criativa.
Jandira finalizou destacando a necessidade de se formular uma política de cultura emancipadora e inclusiva, no sentido da construção de uma narrativa própria do povo e da inserção dessa cultura nas TVs públicas.
Cultura de classe
Após as exposições da mesa foram feitas algumas intervenções e questionamentos pertinentes e agregadores ao debate. Adalberto Monteiro, secretário nacional de formação do PCdoB, destacou que “numa sociedade de classe, a cultura também é de classe, e o nosso papel é de sermos garimpeiros da cultura e darmos condições para as pessoas fazerem”.
Já Manoel Rangel, diretor presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), enfatizou os avanços do Ministério da Cultura. Para ele, "partido praticamente do zero", o Ministério conseguiu se democratizar, sendo mais articulado, fazendo um diálogo com os movimentos sociais em torno da atividade cultural do país. Valorizou ainda o desenvolvimento de projetos como o Vale Cultura, que visa a democratização no acesso à cultura às classes menos favorecidas da população.
Para o presidente da Ancine, foi superada a lógica da cultura enquanto negócio bom, lucrativo e pronto. Em termos de desafios, Manoel Rangel crê que o avanço necessário é "dar autonomia de produção às pessoas, dar espaço a todos que queiram produzir. Devemos transitar na heterogeneidade que a gente vive", finalizou.
Da redação, com Fundação Maurício Grabois
Fonte: Portal Vermelho. http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=130880&id_secao=3
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